Um grupo de defesa da reforma financeira está a apelar aos tribunais para que mantenham a supervisão dos mercados online de jogos de azar a nível estatal, argumentando que um regulador federal de mercadorias não tem autoridade nem capacidade para os gerir.
A Better Markets apresentou seu caso em um amicus brief apoiando Massachusetts em uma crescente disputa legal sobre mercados de previsão, plataformas onde os usuários negociam contratos com base em resultados do mundo real.
Mercados de previsão enquadrados como jogos de azar
De acordo com a Better Markets, estas plataformas funcionam mais como jogos de azar do que como instrumentos financeiros tradicionais e devem, portanto, estar sob a jurisdição estatal e não sob a Commodity Futures Trading Commission (CFTC).
Dennis Kelleher, cofundador, presidente e CEO da Better Markets, acusa duramente o envolvimento da agência federal, apontando para suposta má conduta em algumas plataformas. Kelleher citou relatos crescentes de abuso de informação privilegiada e outros abusos em plataformas como Kalshi, argumentando que a CFTC não está equipada para policiar eficazmente tal actividade.
Ele descreveu a agência como tendo poucos recursos e inadequada para regular o que ele chama de “cassinos online não regulamentados”, na tentativa de contornar as leis estaduais de jogos de azar.
Massachusetts intensifica ação legal
O debate surge num momento em que Massachusetts intensifica o seu escrutínio sobre os operadores do mercado de previsões. Os reguladores estaduais já garantiram uma liminar limitando aspectos das operações de Kalshi e impuseram um prazo de 30 dias para a empresa implementar geofencing para bloquear usuários no estado.
Enquanto isso, a Comissão de Jogos de Massachusetts alertou que certos contratos baseados em eventos podem violar as leis estaduais de jogos de azar, gerando novos desafios legais, incluindo uma ação judicial da Polymarket buscando bloquear essas restrições.
Batalha legal mais ampla se expande em todo o país
O caso de Massachusetts faz parte de um conflito nacional mais amplo entre reguladores estaduais e autoridades federais. A CFTC entrou com ações judiciais em vários estados para defender sua reivindicação de jurisdição exclusiva sobre os mercados de previsão, criando um conflito que poderia remodelar a forma como essas plataformas são regulamentadas nos EUA.
Os especialistas jurídicos acreditam cada vez mais que a questão pode atingir o mais alto nível, com o Supremo Tribunal potencialmente intervindo para decidir se os mercados de previsão se enquadram na regulamentação financeira ou na lei do jogo.
A Better Markets argumenta que o Congresso nunca pretendeu que a CFTC supervisionasse os jogos de azar ou atuasse como uma autoridade nacional nos mercados de apostas baseados em eventos. O grupo também levantou preocupações mais amplas sobre mercados de previsão pouco regulamentados, incluindo riscos de corrupção, abuso de informação privilegiada e aumento do jogo problemático.
No centro da disputa estão plataformas como Kalshi, que operam sob a lei federal de commodities, mas enfrentam resistência crescente de autoridades estaduais que as consideram operadoras de jogos de azar não licenciadas.
Tribunais decidirão o futuro dos mercados de previsão
A Better Markets afirma que os estados estão melhor posicionados para regular o jogo dentro das suas fronteiras e apela à CFTC para que se concentre novamente na sua missão principal de supervisionar os mercados de derivados. O caso destaca um debate nacional alargado sobre se os mercados de previsão devem ser tratados como instrumentos financeiros ou como jogos de azar tradicionais, uma questão que está cada vez mais a ser decidida nos tribunais.
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