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São Paulo atrai grandes produções internacionais, como ‘Zero K’, de Michael Almereyda, enquanto o Estado se prepara para lançar um plano de 20 anos para garantir a estabilidade da indústria

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Apesar de o Brasil não ter este ano um filme de um diretor brasileiro nas principais seções de Cannes, representantes do país latino-americano ainda chegaram confiantes ao Marché du Film para aproveitar o impulso extraordinário criado por filmes como o drama político vencedor de Cannes no ano passado, “O Agente Secreto”. Membros do governo do estado de São Paulo estiveram presentes no mercado para divulgar o grande sucesso de seus recentes investimentos em cinema e televisão e comemorar o lançamento da primeira rodada de filmes beneficiados pela pioneira Lei Paulo Gustavo.

Uma iniciativa de recuperação pós-pandemia que leva o nome do elogiado comediante e ator Paulo Gustavo, que morreu tragicamente de complicações da COVID-19 em 2021, a Lei Paulo Gustavo liberou R$ 2,8 bilhões (US$ 571 milhões) para os setores audiovisuais do Brasil em maio de 2023. O dinheiro foi entregue aos 27 estados e 5.000 cidades do país para uso em incentivos de produção e distribuição ou na criação de uma economia local do conhecimento, com o estado de São Paulo recebendo uma fatia de US$ 50 milhões.

No ano passado, o estado lançou o seu plano de desenvolvimento audiovisual, que incluiu investimentos estratégicos em diversas áreas, como governação, infra-estruturas, formação, financiamento e promoção internacional. Agora, a equipe que lidera as iniciativas estaduais se prepara para lançar um plano de 20 anos intitulado Plano de Desenvolvimento da Indústria Audiovisual Paulista. Esse plano, que deverá ser transformado em legislação, garantirá que os recentes esforços do estado para impulsionar a indústria cinematográfica sejam protegidos da volatilidade das mudanças nos governos federal e estadual.

Em conversa com a Variety em Cannes, a Secretária de Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Estado de São Paulo, Marília Marton, lembra como, logo após a criação da Lei Paulo Gustavo, o estado percebeu que produzir filmes de grande escala e qualidade era “uma tarefa cara e árdua”.

“Sinto que tivemos a sensibilidade certa no momento certo ao escolher ouvir a indústria e compreender as suas necessidades e como poderíamos atendê-las”, acrescenta ela. “A partir desse momento, o estado de São Paulo passou a oferecer um programa de apoio contínuo, o que foi fundamental se quiséssemos pensar no sucesso do setor no longo prazo. Obviamente não temos mais em mãos o mesmo dinheiro que tínhamos inicialmente com a Lei Paulo Gustavo, mas temos esse senso de estabilidade e continuidade, que é muito valioso.”

“A Conspiração Condor”, cortesia da LEP Filmes

Marton observa como agora estamos começando a ver os resultados desses três anos de investimento, com filmes como o thriller político “A Conspiração Condor”, apoiado por Paulo Gustavo Law, dirigido por André Sturm, agora chegando às telas do Brasil.

“Focamos no cinema como uma indústria que traz grande retorno econômico ao estado”, ressalta. “Quando falamos da indústria audiovisual, estamos falando de 1,6 milhão de empregos só no estado de São Paulo. Isso tem um impacto enorme. Também investimos no desenvolvimento de talentos, com a abertura de uma escola de formação, e queríamos ter essa sensação de continuidade onde os profissionais compartilhariam seus aprendizados com a próxima geração.”

Agora que o pote da Lei Paulo Gustavo está esvaziado, Marton voltou sua atenção para garantir que a indústria possa não apenas sustentar um grande impulso, mas também experimentar a estabilidade necessária. “A indústria precisa de previsibilidade”, diz ela. “Os cineastas precisam pensar antecipadamente em determinadas datas, e os produtores precisam de calendários. É assim que podemos negociar parcerias internacionais e construir a nossa visibilidade no exterior, o que também é uma parte fundamental da nossa missão. Precisamos fortalecer a nossa reputação para que possamos comparecer a eventos como o Marché du Film e saber que as pessoas nos levarão a sério como possíveis parceiros.”

“Ao ouvir a indústria e ouvir verdadeiramente sobre as suas questões e queixas mais profundas com o apoio público, compreendemos que a solução não consiste numa estratégia única, trata-se de coordenar esforços durante um extenso período”, enfatiza o secretário. “Não podemos apostar apenas em iniciativas isoladas. Viemos do Paulo Gustavo para ter um olhar mais amplo sobre a cadeia produtiva audiovisual, do desenvolvimento à exibição. Estamos trabalhando para trazer o público de volta ao cinema.”

Num ano eleitoral, consolidar um plano sólido para o futuro torna-se ainda mais urgente. “Os governos vêm e vão, mas o Estado permanece, e precisamos de garantir que temos políticas estáveis ​​e duradouras em vigor”, afirma Marton. “À medida que chegamos ao fim de um mandato, é natural que as pessoas fiquem preocupadas com o que virá a seguir, mas estamos a trabalhar arduamente para tranquilizar o setor.”

São Paulo está investindo pesadamente na internacionalização de sua indústria, com a ficção científica “Zero K”, de Michael Almereyda, estrelada por Peter Sarsgaard, Caleb Landry Jones e Britt Lower, atualmente filmando no estado. O recente “Emergency Radioactive” da Netflix, que liderou as paradas, também foi filmado no interior do estado de São Paulo.

“Isso fez parte de um trabalho minucioso da São Paulo Film Commission, que lançamos no ano passado”, observa Marton. “Mapeamos 1.600 locações no estado, trabalhando em estratégias para atrair produções em todo o estado e garantir que poderíamos oferecer o melhor apoio logístico e financeiro possível. Temos outras film commissions no estado, como em Ribeirão Preto, e estamos vendo grandes avanços na atração de produções nacionais e internacionais graças à nossa infraestrutura disponível, ao talento e ao fato de que nossa moeda ainda é bastante fraca quando comparada ao euro e ao dólar, por isso ainda é relativamente barato filmar no Brasil.”

“No ano passado tivemos a primeira edição do Hub Audiovisual de São Paulo com grandes nomes da indústria internacional e a Netflix abriu seus escritórios em São Paulo”, continua. “Tudo isso mostra o quão amigável o São Paulo se tornou com os grandes jogadores.”

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