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Irã executa pai que protestava e nega última visita à família, dizem parentes

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Irã executa pai que protestava e nega última visita à família, dizem parentes

Um pai iraniano que protestou contra o regime foi executado depois de o Estado ter cancelado a sua última visita à sua família – apenas para depois lhes dizer por telefone que já o mataram, disseram os seus familiares enlutados.

Mohammad Abbasi, 55 anos, foi executado na quarta-feira dentro da prisão de Qezel Hesar, em Karaj, quando sua família recebeu ordens de ir vê-lo uma última vez, segundo o grupo Iran Human Rights Monitor.

Mas quando a família chegou lá para se despedir, os funcionários da prisão rejeitaram o pedido para ver Abbasi, mandando-os para casa e ligando-lhes mais tarde para informá-los de que a sua execução tinha sido levada a cabo.

Mohammad Abbasi foi executado na quarta-feira, tendo a sua família sido negado o direito de uma última visita. Organização de Direitos Humanos Hana

Grupos de direitos humanos afirmaram que Abbasi, vestido de azul, foi torturado e forçado a confessar em tribunal. TV SNN

“A prevenção de uma visita final não é apenas uma tortura psicológica da família, mas também uma violação explícita dos Regulamentos Executivos da Organização Prisional e dos padrões internacionais para os direitos dos prisioneiros, que enfatizam o direito à despedida antes da execução de uma sentença de morte”, disse o HRM do Irão num comunicado.

“O objectivo destas violações legais vai além de punir um indivíduo; visa paralisar psicologicamente a sociedade e criar um ‘choque paralisante’ entre os manifestantes para suprimir a vontade pública de procurar justiça”, acrescentou o grupo.

Abbasi foi condenado à morte pela sua participação nos protestos de Janeiro, que viram milhares de pessoas revoltarem-se contra o regime islâmico devido ao seu regime totalitário e ao fracasso na resolução da crise económica do país.

O homem de 55 anos foi acusado de atacar um tenente das forças de segurança do Irão durante os protestos, tendo o Estado alegado que Abbasi era um dissidente de longa data que agia em nome do “golpe sionista”, segundo grupos de direitos humanos.

O Irã acusou o homem de 55 anos de atacar um oficial de segurança iraniano durante os protestos nacionais em janeiro. TV SNN

Tal como outros manifestantes, Abbasi apareceu na televisão estatal confessando as acusações. O HRM do Irão afirmou que, tal como os outros mortos pelo Estado, o pai foi forçado a fazer a declaração sob tortura.

Enquanto a família de Abbasi lamenta a sua morte, também tem de lidar com o destino da sua filha, Fatemeh Abbasi, que foi condenada a 25 anos de prisão por se juntar ao pai nos protestos.

Fatemeh está atualmente detida na ala feminina da prisão Notorious Evin, de acordo com relatórios locais e grupos de direitos humanos.

O Irão continuou a executar as execuções dos detidos durante os protestos caóticos de 8 e 9 de Janeiro, que viram as forças de segurança da república islâmica dispararem contra os seus cidadãos, matando mais de 7.000 pessoas.

Acredita-se que pelo menos 146 iranianos tenham sido executados desde o início da guerra, de acordo com o grupo iraniano de direitos humanos, com sede na Noruega.

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