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Tons de azul: Noah Guy sobre o poder transformador do luto

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Singer-songwriter Noah Guy.

“Há mais heroísmo nisso do que miséria.”

Para Noah Guy, nativo da Filadélfia, enfrentar o luto em suas inúmeras formas pode ser transformador. O cantor de R&B, ex-jogador de basquete e que se autodenomina abandono da escola de cinema fala sobre a perda com a mesma mistura de intensidade e controle que permeia sua música, transformando destroços emocionais em canções que parecem arrebatadoras e cinematográficas em seu álbum MEMORIA, em azul.

A sensação de movimento de Noah começou muito antes da música, enraizada em seus dias de basquete. O cara ainda fala sobre basquete como alguém pronto para amarrar a qualquer momento. Ele se torna poético sobre a era de ouro das mixtapes de basquete, aqueles destaques granulados do YouTube com trilha sonora de samples de soul picados e rap underground, como uma faísca inicial.

“Sendo um grande fã de basquete, sendo eu mesmo um jogador, conseguir uma mixtape de basquete é como se você fosse o próximo”, diz ele. “De uma forma estranha, esse tipo de mixtape de cesta de basquete definitivamente influenciou minha música e a maneira como penso sobre música.”

Motownphilly de volta

Criado em torno da rica história musical da Filadélfia, o ouvido de Guy foi moldado por uma mistura de soul da Filadélfia, narrativa de cantores e compositores e os clássicos da Motown girando no carro de sua família. “Meu pai tinha um CD dos maiores sucessos da Motown em seu jipe”, lembra ele. “Lembro-me de apenas enxaguar isso, ouvindo isso o tempo todo.”

O amor de Guy pelos clássicos só se aprofundou depois de vasculhar a coleção de seu irmão, que ele chama de catalisador para suas composições.

Quando o basquete desapareceu do centro de sua vida, Guy se viu procurando por algo que pudesse preencher o mesmo espaço. “Depois que pendurei o boné com a coisa do basquete, a camisa nas vigas”, diz ele, “foi um momento em que realmente senti que precisava preencher aquele vazio”. Essa busca o levou à faculdade, à pandemia e, eventualmente, à música, onde a experimentação começou a parecer menos um interesse secundário e mais uma vocação.

Na época, Guy estudava cinema e ainda hoje esse pano de fundo permanece presente em tudo o que ele faz. O que começou como um interesse em compor seus próprios projetos visuais logo se tornou algo maior.

“Eu meio que cheguei a um ponto em que pensei, ah, seria muito legal se eu pudesse começar a compor, fazer música e compor algumas dessas coisas visuais que estou fazendo”, diz ele. “Talvez eu seja melhor nisso aqui, ou talvez eu tenha algo a dizer aqui.” Mesmo com a música agora ocupando o primeiro lugar, seu trabalho ainda carrega o instinto do cineasta de construir atmosfera, movimento e mundo.

Crescendo a partir da dor

O instinto cinematográfico do autodenominado “abandono da escola de cinema” fica especialmente claro em seu último projeto, MEMORIA, em azul, que Guy descreve como “um ciclo de luto sônico”. O álbum traça a perda não como um evento dramático único, mas como uma série de ondas emocionais, desde o desgosto íntimo até a dor familiar, até as pequenas rupturas diárias que as pessoas raramente mencionam.

“Existem também esses pequenos ciclos de luto que vivenciamos todos os dias”, diz ele. Em vez de passar correndo por eles, ele queria permanecer dentro da bagunça por tempo suficiente para entendê-la e depois transformá-la em algo honesto.

O resultado é um disco que oscila entre a restrição e a liberação. Guy queria que os ouvintes sentissem os “altos altos, baixos baixos, esses altos e baixos” que definem o sofrimento real, não uma versão polida dele. Ele fala da aceitação como destino, mas não é simples.

“Eu queria mostrar o luto como algo que, quando você chega ao fim e consegue quebrar o ciclo do luto, há mais heroísmo do que miséria”, diz ele. Essa perspectiva dá ao projeto sua escala. Dói, mas também atinge.

Como as músicas foram escritas ao longo de aproximadamente dois anos, elas carregam emoção imediata e retrospectiva. Alguns foram capturados no meio do sentimento, outros depois que a distância mudou o formato da história. Guy se lembra de ter gravado com uma configuração simples, tentando preservar a tomada mais crua possível.

“Eu tinha uma espécie de microfone dinâmico instalado na sala e meio que gravei, uivando e explodindo minhas cordas vocais”, diz ele. “Tentei realmente capturar a crueza da melhor maneira que pude.” Para um artista que pensa demais, essa abordagem não filtrada tornou-se uma forma de liberação.

Sons cinematográficos

Se a música parece cinematográfica, isso não é acidental, mesmo quando Guy a descreve como algo “embutido”. Ele ainda pensa visualmente enquanto faz músicas, muitas vezes imaginando painéis de humor, movimentos e cores à medida que a faixa é formada. “Estou sempre pensando no visual também”, diz ele. “Não é uma reflexão tardia.”

Igualmente importante é a comunidade que o rodeia, que o incentiva a continuar em frente e a expressar publicamente a sua vulnerabilidade. Guy retorna repetidamente aos amigos e colaboradores que ajudaram a levar o projeto desde a ideia até o lançamento, tanto no estúdio quanto no lado visual. Trabalhar com pessoas em quem ele confia tornou mais fácil permanecer aberto, especialmente quando o material é cortado.

“Sentir é tudo e pensar é uma espécie de inimigo”, diz ele, descrevendo um processo criativo baseado no instinto, na honestidade e na coragem de deixar intactos os vulneráveis.

Ouça MEMORIA, em azul.

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