CARACAS (AP) – A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, chegou à Holanda no domingo, onde defenderá a reivindicação de seu país sobre uma região rica em minerais e petróleo no oeste da Guiana perante o mais alto tribunal das Nações Unidas, em uma disputa que já dura décadas.
O Tribunal Internacional de Justiça de Haia está a realizar uma série de audiências com os vizinhos sul-americanos, ambos reivindicando a propriedade de Essequibo – um território de quase 62.000 milhas quadradas rico em ouro, diamantes, madeira e outros recursos naturais, localizado perto de enormes depósitos de petróleo offshore.
A Venezuela considera Essequibo seu desde o período colonial espanhol, quando a região da selva caiu dentro de seus limites. Mas uma decisão de 1899 de árbitros da Grã-Bretanha, da Rússia e dos Estados Unidos traçou a fronteira ao longo do rio Essequibo em grande parte a favor da Guiana.
A Venezuela argumenta que um acordo de 1966 selado em Genebra para resolver a disputa anulou efetivamente a arbitragem do século XIX.
A audiência final, com a presença de Rodríguez, acontecerá na segunda-feira. O tribunal provavelmente levará meses para emitir uma decisão final e juridicamente vinculativa no caso.
Depois de aterrar no Aeroporto Schiphol de Amesterdão, Rodríguez – que assumiu o poder em Janeiro após uma operação militar dos EUA que derrubou Nicolás Maduro – disse que o seu país “demonstrou em todas as fases históricas o que o nosso território significou desde que nascemos como uma República”.
O caso de Essequibo foi levado ao TIJ em 2018 pela Guiana para confirmar perante as autoridades internacionais que a decisão de 1899 – e não o acordo de 1966 – é quem traça as fronteiras. A Venezuela alertou que a sua participação nas audiências não significa consentimento ou reconhecimento da jurisdição da CIJ.
Na abertura das audiências, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiana, Hugh Hilton Todd, disse aos juízes internacionais que a disputa “tem sido uma mancha na nossa existência como Estado soberano desde o início” e indicou que 70% do território da Guiana está em jogo.



