Por Krisztina Than e Julia Payne
BUDAPESTE/BRUXELAS (Reuters) – O petróleo russo fluiu pela seção ucraniana do oleoduto Druzhba nesta quarta-feira, após uma interrupção que durou meses, disseram autoridades, permitindo que a Hungria suspendesse seu veto a um empréstimo da UE de 90 bilhões de euros (105,79 bilhões de dólares) de que a Ucrânia necessita com urgência.
O oleoduto Druzhba tornou-se numa das infra-estruturas com maior carga política na Europa desde que um ataque de drone russo danificou o oleoduto no oeste da Ucrânia e interrompeu as entregas de petróleo russo à Hungria e à Eslováquia.
O grupo petrolífero húngaro MOL disse na quarta-feira que a Ucrânia o informou que as entregas de petróleo russo foram retomadas através do oleoduto.
“A MOL espera que os primeiros carregamentos de petróleo bruto após o reinício da secção ucraniana do sistema de oleodutos cheguem à Hungria e à Eslováquia, o mais tardar amanhã”, afirmou num comunicado.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse ao meio de comunicação russo Izvestia que os detalhes técnicos do fornecimento de petróleo através do oleoduto Druzhba estavam sendo discutidos a nível corporativo.
“A MOL também está envolvida neste assunto. Os contatos estão sendo mantidos através de canais corporativos. Não conheço os detalhes, porque deveria ter havido um pedido de bombeamento. … Este é, antes, um assunto corporativo”, disse Peskov.
APROVAÇÃO DE EMPRÉSTIMO DA UE LOGO APÓS O BOMBEAMENTO RETOMADO
O bombeamento começou às 09h35 GMT, disse uma fonte da indústria, pedindo para não ser identificada porque não estava autorizada a falar publicamente.
Pouco depois, os embaixadores da UE reunidos em Bruxelas aprovaram o empréstimo. Espera-se que os 27 estados membros da União Europeia assinem formalmente o documento até quinta-feira à tarde.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que a decisão da UE foi “o sinal certo nas atuais circunstâncias”. Escrevendo no X, Zelenskiy disse que os incentivos para a Rússia para acabar com a guerra na Ucrânia “só podem surgir quando o apoio à Ucrânia e a pressão sobre a Rússia forem suficientes”.
A UE concordou em princípio com o empréstimo no ano passado para manter a liquidez da Ucrânia até 2026 e 2027, mas o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, e o governo eslovaco bloquearam-no, acusando a Ucrânia de atrasar as reparações do gasoduto, o que Kiev negou.
Tanto a Hungria como a Eslováquia dependem fortemente do petróleo russo e Orban tem demonstrado consistentemente apoio à Rússia.
MUDANÇA DE PRIMEIRO MINISTRO NA HUNGRIA
As perspectivas da Ucrânia de receber o empréstimo já tinham melhorado quando Orban perdeu as eleições parlamentares da Hungria em 12 de abril. O líder do partido vencedor, Peter Magyar, disse que não iria mais bloquear os fundos da UE para a Ucrânia, embora não deva assumir o poder até o próximo mês.
A capacidade de Druzhba, que em russo significa amizade, é de 1,2 milhão a 1,4 milhão de barris de petróleo por dia, com possibilidade de aumentar para até 2 milhões de barris por dia. No entanto, os fluxos caíram para uma pequena fracção desse valor, em resultado das sanções ocidentais, bem como das repetidas perturbações causadas pelos ataques de drones.
Separadamente, a Alemanha confirmou que nenhum petróleo do Cazaquistão chegaria à sua refinaria PCK Schwedt – uma das maiores do país – a partir de maio, depois de fontes da indústria terem dito na terça-feira que a Rússia estava preparada para parar as exportações de petróleo do Cazaquistão através do oleoduto Druzhba.
($1 = 0,8511 euros)
(Reportagem de Pavel Polityuk, Anna Pruchnicka, Krisztina Than, Jan Lopatka, Julia Payne, Bart Meijer, Lili Bayer; escrito por Jan Strupczewski e Ingrid Melander; editado por Tomasz Janowski, Barbara Lewis, Kirsten Donovan, Will Dunham e Ron Popeski)



