Crimeia controlada pela Rússia enfrenta escassez de combustível em meio a ataques de drones ucranianos

SEVASTOPOL, Crimeia, 10 de junho (Reuters) – Moradores da Crimeia, controlada pela Rússia, enfrentavam nesta quarta-feira o racionamento de gasolina, depois que ataques de drones ucranianos restringiram o fornecimento da Rússia, disse uma testemunha da Reuters.

Mais de quatro anos desde a invasão da Ucrânia em 2022, a Rússia ‌enfrenta ataques quase diários ucranianos à sua infraestrutura petrolífera, enquanto as sanções ocidentais tornaram as exportações de petróleo mais caras, à medida que os seus próprios ataques à Ucrânia continuam.

Os ataques de drones da Ucrânia concentraram-se nas duas principais artérias de abastecimento para a Crimeia – através das regiões controladas pela Rússia no sudeste da Ucrânia ou através do Estreito de Kerch, entre a Crimeia e a península russa de Taman.

Uma testemunha da Reuters disse que em algumas lojas houve escassez de açúcar nos últimos dias e limites para a compra de mais de 5 kg (11 lb) de trigo sarraceno, um alimento básico russo, mas que as prateleiras agora estavam abastecidas e não havia sinal de pânico.

A testemunha da Reuters disse que houve algumas filas para combustível com limites de 20 litros por pessoa e códigos QR vinculados a placas emitidas para compras.

“O limite de 20 litros ainda está em vigor”, disse Mikhail Razvozhayev, governador de Sebastopol nomeado pela Rússia, no Telegram.

“Faço um apelo aos motoristas que vão abastecer hoje: antes de ir ao posto, verifiquem a disponibilidade de combustível”.

MUSEU EM FOGO

Nos últimos ataques ucranianos, drones atingiram um museu histórico em Sebastopol, disseram as autoridades locais na quarta-feira, ao reduzirem o número de trens que viajavam à noite.

A Rússia assumiu o controle da Crimeia em 2014, depois que o presidente pró-Rússia da Ucrânia, Viktor Yanukovych, foi deposto durante protestos. Depois que a Crimeia votou num referendo disputado para se tornar parte da Rússia, Moscou anexou formalmente a península, mas poucos países a reconhecem como parte da Federação Russa.

A Crimeia foi absorvida pelo Império Russo junto com a maior parte do que hoje é o território ucraniano moderno por Catarina, a Grande, no século XVIII. Tornou-se parte da Rússia dentro da União Soviética até 1954, quando foi entregue à Ucrânia, então também uma república soviética, pelo líder soviético Nikita Khrushchev.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, descartou a possibilidade de ceder o território ocupado pelas forças russas e disse que a soberania ucraniana da Crimeia deve ser restaurada.

(Reportagem da Reuters, edição de Neil Fullick)

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