Em Damasco, o primeiro-ministro libanês e o presidente sírio discutem questões como segurança, transportes e energia.
Os líderes do Líbano e da Síria concluíram conversações em Damasco focadas em interesses comuns, enquanto ambos os países procuram uma reaproximação após a derrubada do antigo presidente sírio, Bashar al-Assad, há quase 18 meses.
No sábado, o primeiro-ministro libanês Nawaf Salam disse que foram feitos “progressos significativos” nas discussões com o presidente sírio Ahmed al-Sharaa, que cobriram questões de segurança, transporte, infra-estruturas e económicas.
Histórias recomendadas
lista de 3 itensfim da lista
A viagem marca a segunda visita oficial de Salam ao país vizinho desde que al-Assad foi deposto durante uma grande ofensiva liderada pelas forças da oposição sob o comando de al-Sharaa.
As conversações também abrangeram a libertação de prisioneiros sírios detidos em prisões libanesas superlotadas. Mais de 2.000 sírios estão atualmente detidos no Líbano. Alguns são acusados de “terrorismo”, enquanto outros alegadamente atacaram o exército libanês. Al-Sharaa fez da sua libertação uma prioridade.
“Discutimos os esforços contínuos para resolver a questão dos sírios detidos (no Líbano) e para descobrir o destino dos desaparecidos e detidos à força em ambos os países”, disse Salam.
Mais de 130 prisioneiros sírios foram transferidos do Líbano para a Síria em Março, onde cumprem o resto das suas penas.
Salam disse que as conversações também se concentraram no fortalecimento da cooperação e no aprofundamento dos laços entre os dois países através da colaboração em questões económicas, sociais e culturais.
Interesses comuns envolvendo o Hezbollah
Os governos libanês e sírio opõem-se ambos ao grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão, que detém uma influência significativa no Líbano e está actualmente envolvido numa guerra com Israel. Cerca de 1,2 milhões de pessoas – mais de um quinto da população do Líbano – foram deslocadas pelos ataques israelitas.
O Hezbollah perdeu a sua rota de abastecimento vital através da Síria após a remoção de al-Assad do poder. O antigo presidente era um aliado próximo do Irão e uma figura chave no que Teerão descreve como o seu “eixo de resistência”.
As autoridades libanesas comprometeram-se a desarmar o grupo, mas a tarefa revelou-se extremamente difícil, alimentando preocupações de que uma guerra civil pudesse eclodir.
Reportando de Deraa, no sul da Síria, Heidi Pett da Al Jazeera disse que a visita de Salam se concentrou no restabelecimento das relações entre os dois países e na discussão de questões regionais, particularmente no contexto da guerra mais ampla. Pett disse que as preocupações com fronteiras e segurança eram uma prioridade para ambos os líderes.
Pessoas e bens, incluindo drogas e armas, são frequentemente transportados através da porosa fronteira de 330 quilómetros (205 milhas) partilhada pelo Líbano e pela Síria. Embora o contrabando possa ter diminuído desde a deposição de al-Assad, Damasco anunciou uma série de operações e detenções nos últimos meses.
Pett relatou que ambos os países estão ansiosos para reprimir o Hezbollah, com a Síria prendendo o que descreveu como “células do Hezbollah” supostamente conspirando para assassinar figuras importantes do governo.
Negociações de paz Israel-Líbano
A reunião ocorre no momento em que o Líbano se prepara para outra rodada de conversações diretas com Israel em Washington na próxima semana, com negociações marcadas para quinta e sexta-feira.
Numa entrevista à Al Jazeera, Salam disse que daria prioridade ao reforço do actual cessar-fogo entre o Líbano e Israel.
O veneno, intermediado por Washington, entrou em vigor em meados de abril. Desde então, porém, Israel tem levado a cabo repetidamente ataques em todo o Líbano, incluindo na capital, Beirute, o que levou os críticos a acusar o país de não ter aderido ao acordo.
Salam disse que as conversações representam uma oportunidade para pôr fim ao conflito de décadas entre os dois países. Ele acrescentou que o Líbano se concentraria em várias questões importantes, incluindo o fim dos ataques ao país, garantindo a libertação dos detidos e concordando com um cronograma para a retirada israelense.



