O parlamento húngaro aprova uma alteração que destituiria o presidente Sulyok, nomeado pelo ex-primeiro-ministro Viktor Orban.
Publicado em 14 de julho de 2026
O parlamento da Hungria aprovou uma alteração constitucional para remover o Presidente Tamas Sulyok da sua posição essencialmente cerimonial, a mais recente medida para desmantelar o poder de figuras associadas ao antigo Primeiro-Ministro Viktor Orban.
A medida, aprovada na segunda-feira com 139 votos a favor e apenas seis contra, poria imediatamente fim ao mandato de Sulyok e abriria caminho para que o Parlamento elegesse um novo presidente.
Histórias recomendadas
lista de 3 itensfim da lista
Os húngaros eliminaram o nacionalista de direita Orban em Abril, com o partido Tisza, do novo primeiro-ministro Peter Magyar, a vencer de forma esmagadora. O resultado da eleição encerrou 16 anos de poder do partido Fidesz de Orbán, que passou a dominar muitos aspectos do país.
Desde a vitória de Magyar, ele tem procurado minar esse poder, inclusive destituindo o atual presidente. A alteração constitucional também introduz uma série de reformas judiciais, cria um órgão para investigar alegados abusos financeiros no governo anterior e impõe um limite de mandato de 12 anos aos legisladores.
Sulyok tem agora cinco dias para assinar a emenda constitucional aprovada pelo parlamento. Magyar disse que o parlamento lançará um processo de impeachment contra Sulyok se ele não o assinar.
O presidente e outros membros do Fidesz boicotaram a sessão parlamentar de segunda-feira.
Varrendo a velha ordem
O parlamento elegeu Sulyok, antigo chefe do Tribunal Constitucional da Hungria, em Fevereiro de 2024. Foi nomeado para substituir Katalin Novak, que se demitiu após perdoar um homem condenado por encobrir abuso sexual de crianças.
Mas dias depois de o partido Tisza, de centro-direita, de magiar, ter obtido uma supermaioria parlamentar de dois terços em Abril, o novo primeiro-ministro declarou Sulyok “indigno de encarnar a unidade da nação húngara” e exigiu que ele deixasse o cargo assim que o novo governo fosse formado.
Em Junho, depois de expirado o prazo para a demissão, Magyar rotulou o presidente de “fantoche” de Orban e prometeu destituí-lo e a outros remanescentes do cargo por meios constitucionais. Semanas depois, ele revelou um programa de reformas, denominado “Operação Fogo Limpo”, que visa instalar uma nova constituição, expurgar instituições estatais e estabelecer um gabinete anticorrupção.
Embora a presidência seja um cargo em grande parte simbólico, tem poderes para aprovar leis e pode submetê-las ao Tribunal Constitucional para revisão, levantando receios de que Sulyok possa usar os seus poderes presidenciais para impedir a ambiciosa agenda de reformas de Tisza.