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Acordo comercial da UE com o bloco Mercosul da América do Sul entra em vigor provisoriamente

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Acordo comercial da UE com o bloco Mercosul da América do Sul entra em vigor provisoriamente

O tão esperado acordo cria uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, com 720 milhões de consumidores potenciais.

Por Equipe da Al Jazeera e Associated Press

Publicado em 1º de maio de 2026

O tão esperado acordo comercial entre a União Europeia e o bloco Mercosul da América do Sul entrou provisoriamente em vigor, impulsionando os laços comerciais num contexto de ameaças tarifárias e aprofundando a incerteza em torno da cooperação global.

O pacto entrou em vigor na sexta-feira, após 25 anos de negociações, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com 720 milhões de potenciais consumidores e um valor estimado em 22 biliões de dólares.

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O acordo só está em vigor provisoriamente porque está a ser contestado pelo poder judicial da UE. Estão a lutar contra a decisão da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de contornar o parlamento da UE e promulgar provisoriamente o acordo. O acordo será interrompido se o órgão europeu decidir contra ele

O acordo, assinado em janeiro, visa reduzir tarifas e impulsionar o comércio entre as duas regiões. Juntos, a UE e o Mercosul representam 30% do PIB mundial e mais de 700 milhões de consumidores.

O novo tratado eliminará tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral e favorecerá as exportações europeias de automóveis, vinho e queijo, ao mesmo tempo que facilitará a chegada da carne de bovino, das aves, do açúcar, do arroz, do mel e da soja da América do Sul à Europa.

“Esta é uma boa notícia para as empresas da UE de todas as dimensões, uma boa notícia para os nossos consumidores e uma boa notícia para os nossos agricultores, que ganharão novas e valiosas oportunidades de exportação, com proteção total para setores sensíveis”, disse Von der Leyen na quinta-feira.

O líder da UE deverá realizar uma videoconferência na sexta-feira com os líderes dos países do Mercosul, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, para celebrar o acordo.

Reafirmação do multilateralismo

No início desta semana, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, um dos principais apoiadores do acordo, assinou um decreto validando o acordo em seu país.

Ele disse que é uma resposta às tarifas unilaterais impostas no ano passado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e uma reafirmação do multilateralismo.

“Nada melhor do que acreditar no exercício da democracia, no multilateralismo e nas relações cordiais entre as nações”, disse Lula em cerimônia de celebração na capital, Brasília.

O novo acordo comercial enfrentou oposição de agricultores e grupos ambientalistas. Eles estão preocupados com o aumento das importações baratas da América do Sul e com o aumento do desmatamento.

Milhares de agricultores irlandeses protestaram em Janeiro contra o acordo, acusando os líderes europeus de sacrificarem os seus interesses.

As empresas sediadas nos países do Mercosul também expressaram receio da forte concorrência dos seus pares europeus nas indústrias de alta tecnologia.

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