A versão original da cinebiografia “Michael” atingiu a marca de quatro horas ao traçar a jornada de Michael Jackson desde um menino (interpretado por Juliano Valdi) cantando com seus irmãos como “The Jackson 5” até se tornar uma megastar global (seu sobrinho, Jaafar Jackson), e terminando com o Rei do Pop lotando o Estádio de Wembley, em Londres, na turnê mundial “Bad”.
Como relatado anteriormente, as alegações de abuso infantil foram retiradas do filme depois que os advogados do espólio de Jackson, que atuou como produtor, perceberam que havia uma cláusula em um acordo com um dos acusadores do cantor, Jordan Chandler, que proibia a representação ou menção dele em qualquer filme. Assim, “Michael” precisou ser recortado.
Entra John Ottman, colaborador de confiança do produtor Graham King e editor de “Bohemian Rhapsody”. (Os editores Tom Cross e Conrad Buff trabalharam em versões anteriores; Ottman contratou o editor Harry Yoon para ajudar na carga de trabalho.)
Ottman disse à Variety que as restrições legais à cobertura dos cineastas de esquerda não têm escolha. “Uma serra foi retirada no meio do filme”, diz ele. “Realmente não houve muita discussão.”
O editor pretendia estar na produção apenas por algumas semanas para ajudar a enfrentar os muitos desafios que o filme enfrentava, mas para levar o projeto aonde precisava, foi necessária uma revisão completa. “Foi quando a transição aconteceu”, diz ele. “Acabei recortando o filme inteiro.”
Ottman, que tem crédito de “editado por” no filme, explica: “Durante esse tempo, concentrei-me em injetar a tão necessária intimidade no processo criativo de Michael, e muito mais humor e energia. Graham realmente respondeu às mudanças que eu estava fazendo – como a maneira como eliminei 25 minutos de narração para que o público pudesse se envolver mais na infância de Michael.”
Ottman, que assistiu à versão completa de quatro horas do filme, concentrou-se em tornar o enredo inicial mais sucinto para estabelecer por que Michael estava ansioso para sair do controle de seu pai. Ele também se concentrou na arte criativa de Michael e pretendia realmente entrar em sua cabeça.
“Eu fiz todas essas sequências dele mexendo em sua música”, diz Ottman. “Há uma pequena montagem com o estalar de dedos dele e coisas como quando ele está no quadro de avisos de seu estúdio (tentando escrever uma música).”
Ottman também queria aproveitar o fator solidão. As sequências de infância mostram um jovem Michael crescendo sem amigos de verdade, então à medida que se torna famoso, ele começa a adotar animais, incluindo o chimpanzé Bubbles, sua lhama e sua cobra de estimação. “Espero que as pessoas percebam o fato de que esses (animais) eram seus verdadeiros amigos”, diz Ottman.
Ottman e King geralmente concordam, mas diferem na sequência de narração. Originalmente, Jaafar, como o Michael mais velho, falou sobre clipes de sua infância. “Você não estava nas cenas e vivenciando aquela viagem. Essa foi uma das minhas principais performances, restaurar essas cenas para que fossem em tempo real”, diz Ottman, explicando que focar no jovem Michael ajudou a fundamentar a emoção. “Esse sentimento e carinho que você tem por ele realmente se transferem para o futuro com o Michael Jackson mais velho.”
Em outro lugar, Ottman procurou momentos em que pudesse “descobrir o máximo de humor possível”. Isso incluiu momentos como quando o pequeno Michael não consegue manter os pés parados no estúdio de gravação, ou quando o Michael mais velho leva sua lhama de estimação pela rua e vê alguns vizinhos passando, ou quando Michael conta uma piada do Prince. Segundo Ottman, esses momentos “ajudaram não apenas a tornar o personagem querido, mas também a manter o público se divertindo”.
Ottman também pegou emprestadas algumas cenas da segunda metade da versão original para fazer as cenas se misturarem perfeitamente. Por exemplo, quando Bill Bray (KeiLyn Durrel Jones) é contratado como chefe de segurança de Michael, Ottman diz: “na cena seguinte, eles estão se apresentando em uma feira municipal e Bill não está em lugar nenhum. Então, felizmente, ele está sentado perto de uma roda gigante no Rancho Neverland, na segunda metade do filme, então usei apenas essas cenas.”
A única sequência que manteve Ottman acordado à noite foi a cena do show “Bad” que encerra o filme. Neste ponto, Michael conseguiu escapar do controle de seu pai e estava em sua turnê solo. Ottman chama isso de “mini-Live Aid”, referindo-se à icônica sequência do show do Queen em “Bohemian Rhapsody”. A cena precisava “arrasar” e ser dirigida pelo personagem, e também marcar uma celebração da liberdade de Jackson.
“Em filmes como este, se o enredo da narrativa do filme apenas parar nas sequências, as sequências tendem a morrer”, diz Ottman.
Foi uma escolha consciente encerrar o filme com “Bad”. Ao provocar a performance no início do filme, Ottman diz: “você está dizendo ao público que vamos voltar a isso, e será mais gratificante quando voltarmos”.
Ao analisar as filmagens, ficou claro que a atuação de Jaafar Jackson realmente deu vida à cena. “Jaafar me proporcionou tantos momentos relâmpagos”, diz ele. “Minha missão é colocar cada um deles na tela.” Para destacar o quão bom Jaafar era, Ottman preferiu close-ups para destacar suas emoções e a maneira como cantava as letras de Michael, e usou planos mais amplos para capturar os movimentos de dança e a atmosfera.
O destaque da edição do filme para Ottman foi ver as atuações de Jaafar Jackson e Valdi. “Estou testemunhando o início de duas grandes carreiras”, diz ele. “Eu estava lá quando isso aconteceu.”



