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BrLab Anuncia Vencedores da 15ª Edição, Com FiGa Films Adquirindo Direitos de Venda do Drama Brasileiro ‘Ninho Vermelho’ (EXCLUSIVO)

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BrLab Anuncia Vencedores da 15ª Edição, Com FiGa Films Adquirindo Direitos de Venda do Drama Brasileiro ‘Ninho Vermelho’ (EXCLUSIVO)

O centro de desenvolvimento e treinamento do Brasil, BrLab, anunciou os vencedores de sua 15ª edição, com a FiGa Films, sediada em Miami, adquirindo os direitos de venda do premiado drama de Val Hidalgo e Alice Stamato, “Ninho Tinto” (Red Nest).

O filme da dupla brasileira ficou entre os 12 projetos selecionados para o evento anual, que recebe produtores, diretores e roteiristas de toda a América Latina, Espanha e Portugal para uma semana de workshops, laboratórios, mentorias e programação da indústria em São Paulo. Uma série de eventos satélites também acontecem em Brasília e Recife até o início de maio.

Desde a sua primeira edição em 2011, o BrLab cresceu de um pequeno workshop para cineastas regionais para um ator-chave no desenvolvimento do cinema independente no Brasil, na América Latina e na região Ibero-Americana, com projetos de mais de 15 países convidados a participar este ano.

“Chegar aos 15 anos é uma celebração e uma declaração de persistência”, disse o fundador, diretor e curador do BrLab, Rafael Sampaio. “Além disso, é um momento para avaliar e reafirmar nossos propósitos e estruturas, considerando todas as mudanças e desafios que enfrentamos em diferentes países da América Latina e em todos os lugares.”

Sampaio observou que “esta é uma região cheia de talentos e criatividade onde produtores e cineastas navegam constantemente na instabilidade – financeira, política, institucional. Neste contexto internacional, o BrLab tornou-se um evento regular e sólido onde projetos são desafiados e apoiados, vivenciando este momento inicial e fundamental em que um filme ainda é apenas palavras e intenções”.

Juntamente com seu line-up cuidadosamente selecionado e abordagem prática para o desenvolvimento e apoio de cada projeto, o BrLab funciona como uma ponte crucial que conecta os cineastas à indústria regional e internacional.

“Cineastas e produtores não desenvolvem seus filmes apenas de forma isolada — eles se conectam não apenas com eles mesmos e com os tutores, mas também com coprodutores, festivais e tomadores de decisão que trazemos para fazer parte de cada edição do BrLab, ajudando a posicionar internacionalmente os projetos curados desde o início”, disse Sampaio. “Num contexto onde o apoio estrutural pode ser inconsistente, essa mistura de rigor, continuidade e acesso real é o que permite que os projetos avancem – não apenas como ideias, mas como filmes que podem existir e circular.”

Este ano, os organizadores introduziram uma série de mudanças, incluindo uma mudança do tradicional evento de outubro para o início de abril, o lançamento do BrLab Kids, um novo workshop dedicado a projetos de filmes e séries para o público infantil e jovem, e a introdução de uma iniciativa verde focada em práticas industriais sustentáveis ​​na América Latina, apoiada pelo novo parceiro apresentador e patrocinador principal do evento, a Petrobas.

“Não se trata de mudar o que já funciona – trata-se de consolidá-lo e ampliar seu alcance”, disse Sampaio. “Em vez de uma mudança de formato, o que fizemos foi solidificar o núcleo do BrLab — a profundidade dos laboratórios, a orientação próxima, o diálogo internacional — ao mesmo tempo que criamos novas camadas em torno dele. A ideia é fortalecer o ecossistema que cerca os projetos, e não apenas os projetos em si.”

Uma das principais novidades deste ano foi o Think Tank, que o laboratório desenvolveu em parceria com a Petrobras e o Cinema Verde. “Isso abre espaço para uma reflexão mais ampla e estratégica sobre a indústria brasileira e latino-americana — reunindo diferentes atores para discutir os desafios estruturais, a sustentabilidade e o futuro da produção audiovisual no Brasil e na América Latina”, disse Sampaio. “Trata-se menos de resultados imediatos e mais de posicionamento de longo prazo.”

Até 2025, foram produzidos e lançados 62 longas-metragens que participaram das diversas seções do BrLab, entre eles “O Misterioso Olhar do Flamingo” (Chile), de Diego Céspedes, vencedor da seção Un Certo Olhar do Festival de Cannes no ano passado; “Levante” (Brasil), de Lila Halla, exibido na Semana da Crítica de Cannes em 2023; e “Légua”, dos cineastas portugueses Filipa Reis e João Guerra, que estreou na Quinzena dos Realizadores do mesmo ano.

Esse histórico é um tributo ao trabalho que Sampaio e a equipa organizadora continuam a fazer para prosseguir a sua visão, apesar do que ele chama de “fragilidade institucional”, particularmente com o financiamento para a agência nacional de cinema do Brasil, Ancine, cortado sob o ex-presidente de direita Jair Bolsonaro. A Ancine não esteve entre os apoiadores da 15ª edição do BrLab, que aconteceu por meio de parcerias com Programa Ibermedia, Spcine, Projeto Paradiso e Petrobras.

“A ausência da Ancine foi algo inesperado que impactou o fórum co-profissional, mas…nossa trajetória nos ensinou que precisamos ser mais sólidos que nossas instituições”, disse Sampaio. “A história do cinema latino-americano e do BrLab reflete muito mais a luta dos profissionais do que das instituições. É o esforço de uma indústria internacional contra a fragilidade de nossas políticas e governos.”

Aqui está um resumo dos vencedores do BrLab deste ano:

Prêmio Vitrine de Distribuição Filmes: “Irmã Mais Velha”
Diretor: Rafaela Camelo
Produtores: André Pereira, Mariana Muniz
Roteiristas: Rafaela Camelo, André Pereira

Cortesia do BrLab

Após a morte trágica da irmã mais velha, Isabel, de 11 anos, é obrigada a morar com a mãe, Verônica, que esconde um dom há muito reprimido: a capacidade de canalizar os mortos. Camelo, cujo primeiro longa, “A Natureza das Coisas Invisíveis”, estreou na Berlinale no ano passado, observou: “Gosto de dizer que (meu primeiro filme) mostra como nem toda morte tem que ser uma tragédia. Em ‘A Irmã Mais Velha’, a perspectiva sobre a morte muda radicalmente. Aqui, a morte é inerentemente a tragédia que põe a história em movimento. Isabel e Verônica devem enfrentar essa perda juntas, vivenciar o luto em toda a sua intensidade e lidar com as consequências que isso traz para suas vidas”.

Prêmio Pop Up Film Residency: “El Umbral” (The Threshold)
Diretor: Inti Jacanamijoy
Produtores: Jorge Forero, Inti Jacanamijoy
Roteirista: Inti Jacanamijoy, Óscar Adán

Cortesia do BrLab

Uma história de amadurecimento sobre luto, memória e conhecimento ancestral, “The Threshold” segue um menino que retorna para a casa de sua família após a morte de seu avô, um renomado xamã. Quando sua avó também adoece e se prepara para cruzar o Kuriyako, local sagrado onde seu povo vai morrer, uma presença ancestral chega à casa, confundindo a fronteira entre os vivos e os mortos. É um filme que “conecta uma história familiar com o universo espiritual e metafísico que habita nossos territórios”, segundo Forero, apresentando “uma proposta cinematográfica com potencial para se tornar um filme de destaque no cenário atual”.

Prêmio Cinéma en Développement + Projeto Paradiso: “Dentro do Rio”
Diretora/roteirista: Bárbara Matias Kariri
Produtor: Maurício Macêdo

Cortesia do BrLab

Quando a construção de uma barragem ameaça submergir a comunidade indígena do Barro Vermelho, Lourdes, professora e mãe solteira, fica dividida entre aceitar uma indenização e mudar-se para a cidade ou resistir ao lado da família e da comunidade, para cuja ancestralidade é uma força de resistência e renovação. Matias Kariri disse que a história está “enraizada na cosmovisão Kariri, trazendo uma perspectiva do interior profundo do Brasil com autenticidade, imaginação e um forte senso de autoria”. Utiliza uma combinação única de animação com influências do teatro e da poesia para “reimaginar o trauma e ao mesmo tempo abrir espaço para outras formas de ser e compreender o mundo”.

Prêmio Cesnik, Quintino, Salinas, Valerio e Fittipaldi: “A Última Cachorra”
Diretor: Nina Kopko
Produtora: Letícia Friederich
Roteiristas: Tainá Tokitaka, Nina Kopko

Cortesia do BrLab

Ambientado em um futuro muito próximo em São Paulo, onde se acredita que uma nova pandemia tenha erradicado a população canina do planeta, uma motorista de carona é forçada a decidir se vai manter seu plano de tirar a própria vida ou encontrar uma maneira de proteger aquele que pode ser o último cachorro do planeta. “As histórias envolvendo cães criam uma conexão imediata com grande parte do público, pelo lugar emocional que ocupam em nossas vidas”, afirmaram os cineastas. “Imaginar um mundo onde eles estão desaparecendo gera ainda mais curiosidade, especialmente porque isso acontece em um futuro próximo – ao mesmo tempo estranho e familiar.”

Design de Público BrLab

Prêmio Vitrine Lab: “Show da Xoxa”
Diretor/roteirista: Rastricinha Dorneles
Produtora: Hilda Pontes Lopes

Cortesia do BrLab

A paródia distópica “Show da Xoxa” se passa em um mundo onde as estrelas de programas de TV mais populares do Brasil são submetidas a humilhações e desafios violentos disfarçados de entretenimento. Quando os membros da tripulação começam a morrer, a linha entre o espetáculo e o extermínio começa a se confundir. Liderado por uma equipe e elenco trans, “Xoxa’s Show” é “uma celebração da criatividade das pessoas trans”, disse Dorneles. “Participar do BrLab é muito importante para que nossas carreiras, a minha como travesti e a da Hilda como pessoa não binária, sejam reconhecidas e possamos concretizar esse trabalho que brinca com o imaginário coletivo da população trans com extrema intimidade.”

Corte bruto BrLab

Prêmio Tanto: “Ninho Tinto” (Ninho Vermelho)
Diretores: Val Hidalgo, Alice Stamato
Produtor: Thiago Briglia

‘Ninho Vermelho’ (Cortesia do BrLab)

Ambientado no norte do Brasil, “Ninho Vermelho” segue uma imigrante venezuelana, Frangela, cuja vida estável é abalada pela chegada inesperada de seu filho de 11 anos. Com a chegada de Alejandro, Frangela e seu companheiro tentam construir um vínculo afetivo com o menino enquanto tentam criar um novo lar. “O que é uma casa?” os diretores perguntaram. Embora a palavra possa significar muitas coisas, “há algo que sempre a atravessa: os afetos que tecemos em torno dela, as pessoas com quem formamos vínculos e os pequenos gestos através dos quais oferecemos e compartilhamos partes de nós mesmos”, disseram. “Red Nest” oferece “um retrato sensível de como estes laços são reconstruídos num contexto migratório moldado pela vulnerabilidade. Mas é também, acima de tudo, um gesto de resiliência e de afirmação da vida”.

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