O presidente Lula acusa o filho de Jair Bolsonaro, agora candidato à presidência, de ajudar a desencadear as tarifas propostas pelos EUA.
Publicado em 6 de julho de 2026
O candidato presidencial brasileiro Flavio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, está pedindo ao governo Trump que adie as tarifas propostas sobre produtos brasileiros até depois das eleições de outubro, enquanto tenta se opor à eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que sua família ajudou a realizá-las.
A administração Trump propôs as tarifas de 25 por cento em junho, citando supostas violações comerciais, incluindo o desmatamento ilegal e o que chamou de práticas injustas de pagamento eletrônico, pegando o governo do Brasil de surpresa. Lula disse que as relações estavam melhorando após uma reunião na Casa Branca com Trump em maio.
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O anúncio ocorreu pouco depois de Bolsonaro se reunir com altos funcionários dos EUA em Washington, gerando acusações em seu país de que ele havia solicitado pressão dos EUA sobre o Brasil, com Lula acusando o senador de direita de fazer lobby em Washington para impor as tarifas.
Desde então, ele redobrou essas acusações, dizendo em uma postagem nas redes sociais na semana passada que “a origem de tudo isso foi motivada pela própria família Bolsonaro” e que o pedido de Bolsonaro para adiar as tarifas até depois das eleições foi “mais um ato de traição contra a Pátria”.
Bolsonaro rejeita a alegação, argumentando, em vez disso, que seria Lula quem obteria uma vantagem política se as tarifas fossem impostas.
“As novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros dariam ao atual governo brasileiro precisamente a vitória política que foi arquitetada”, escreveu Bolsonaro numa apresentação ao Gabinete do Representante Comercial dos EUA.
As autoridades brasileiras passaram meses tentando persuadir Washington a não avançar com as tarifas. Mas Bolsonaro diz que o governo não foi longe o suficiente para encontrar um terreno comum com os EUA e pede um adiamento de 180 dias antes de qualquer decisão final ser tomada.
“O Brasil realizará eleições gerais em outubro de 2026, e o cenário político que determina a viabilidade de qualquer resolução negociada será redefinido dentro de aproximadamente noventa dias”, escreveu ele.
Até agora, há poucos sinais de que seus esforços estejam valendo a pena. Em resposta a uma carta enviada por Bolsonaro no mês passado, o secretário de Estado Marco Rubio disse que as autoridades norte-americanas ainda tinham “diferenças substanciais” com o Brasil sobre questões que, segundo eles, justificam as tarifas propostas.
A disputa deixou os brasileiros divididos sobre quem está dizendo a verdade. Uma pesquisa Quaest publicada no mês passado revelou que 47 por cento dos brasileiros concordaram com a afirmação de Lula de que Bolsonaro encorajou os Estados Unidos a impor tarifas, enquanto 35 por cento concordaram com Bolsonaro que ele tentou impedi-las.
Washington tem até 15 de julho para decidir se irá impor as tarifas que, se aprovadas, ainda isentariam a carne bovina, o café, os minerais de terras raras e as peças de aeronaves. Eles se somariam às tarifas impostas por Trump no ano passado por causa do que ele descreveu como uma “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro, que foi condenado meses depois.
Bolsonaro fez do relacionamento do Brasil com os Estados Unidos a parte central de sua campanha, já que Trump assumiu um papel mais ativo na política latino-americana. Isso incluiu a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas e o apoio a candidatos de direita em toda a região, incluindo Abelardo De La Espriella, que venceu por pouco as eleições presidenciais da Colômbia no mês passado.