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Líderes da Moldávia criticam movimento russo em busca de cidadania para região separatista

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Líderes da Moldávia criticam movimento russo em busca de cidadania para região separatista

Por Alexandre Tanas

CHISINAU (Reuters) – Líderes da Moldávia denunciaram como uma ameaça a oferta do presidente russo, Vladimir Putin, de cidadania russa simplificada para o enclave separatista pró-Rússia da Transnístria e consideraram medidas para neutralizá-la.

A Transnístria rompeu com a Moldávia em 1990, quando ainda era uma república soviética e, apesar de um breve conflito dois anos depois, desde então existe em grande parte em paz ao lado do país.

Um contingente militar russo de cerca de 1.500 soldados, que a Rússia por vezes descreve como forças de manutenção da paz, separa os dois lados e o enclave recebe assistência russa substancial.

O governo da Moldávia, que pretende aderir à União Europeia até 2030, vê o enclave e a presença militar como um meio de Moscovo exercer influência sobre os seus assuntos. No mês passado, os comandantes do contingente foram impedidos de entrar na Moldávia.

Putin emitiu um decreto na sexta-feira, permitindo que os 350.000 residentes da Transnístria ⁠ obtivessem passaportes russos sem cumprir requisitos de residência e outros requisitos. Cerca de metade já possui cidadania russa.

“Provavelmente, eles querem que mais pessoas sejam enviadas para a guerra na Ucrânia”, disse o presidente Maia Sandu, um crítico frequente da invasão do seu vizinho pela Rússia, numa conferência na Estónia no sábado.

“É provavelmente uma forma de nos ameaçar novamente, porque a Rússia não gosta das ações que temos tomado em matéria de reintegração nos (setores) económico e financeiro. As pessoas na região da Transnístria têm de pensar duas vezes.”

Ela disse que muitos dos residentes da região já obtiveram passaportes moldavos para “se sentirem mais seguros” desde o início da guerra.

O primeiro-ministro da Moldávia, Alexandru Munteanu, falando na noite de sábado, disse que seu governo estava considerando ações práticas, já que convocar o embaixador russo para reclamar sobre drones russos que violavam o espaço aéreo da Moldávia não teve efeito em Moscou.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que a oferta de Putin equivalia a “a Rússia projetar o território da Transnístria como supostamente seu”. Ele disse que a Ucrânia e a Moldávia iriam elaborar “uma avaliação conjunta e uma ação conjunta”.

O embaixador da Rússia na Moldávia, Oleg Ozerov, disse à agência de notícias estatal TASS que a medida foi baseada em motivos humanitários devido à “crescente pressão da Moldávia sobre a Transnístria”.

As críticas moldavas ao decreto, disse ele, equivalem a “hipocrisia”, já que muitos moldavos estavam obtendo passaportes da Romênia, vizinho ocidental da Moldávia.

(Reportagem de Alexander Tanas, escrito por Ron Popeski; editado por Chizu Nomiyama)

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