TEL AVIV (Reuters) – Um navio que transporta grãos que a Ucrânia diz ter sido roubado de áreas ocupadas pela Rússia não descarregará em Israel, disse a Ucrânia nesta quinta-feira, depois que Kiev solicitou a Israel que apreendesse a carga.
O procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, disse no aplicativo Telegram que o navio, Panormitis, deixou as águas territoriais de Israel e se deslocou para águas neutras após “uma série de medidas processuais tomadas pela Ucrânia”.
“Com base nos materiais fornecidos pelo lado ucraniano no âmbito da cooperação jurídica internacional, as autoridades israelitas competentes começaram a processar o pedido”, disse ele.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel disse, no entanto, que o pedido de assistência jurídica da Ucrânia, apresentado na noite de terça-feira, “continha lacunas factuais significativas e não incluía qualquer evidência de apoio”.
Entretanto, disse o ministério, foi informado que o navio que foi sugerido para entrar no porto na próxima semana decidiu partir das águas territoriais de Israel.
O gestor do navio de bandeira panamenha não estava imediatamente disponível para comentar.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, escrevendo no Telegram, disse que o ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, apresentou um relatório pedindo uma campanha “mais sistemática” contra os navios que transportam grãos das áreas ocupadas do país.
“Agiremos sistematicamente contra a frota clandestina de cereais, da mesma forma que agimos contra a frota petrolífera paralela”, escreveu ele.
SINAL PARA OUTRAS EMBARCAÇÕES
Sybiha, escrevendo no X na quinta-feira, disse que o navio não descarregaria em Israel, descrevendo-o como um “desenvolvimento bem-vindo” que “demonstra que as ações legais e diplomáticas da Ucrânia foram eficazes”.
Sybiha acrescentou que a Ucrânia continuará a rastrear o navio e a alertar contra quaisquer operações com ele.
“Este é também um sinal claro para todos os outros navios, capitães, operadores, seguradoras e governos: não comprem grãos ucranianos roubados. Não se tornem parte deste crime”, disse Sybiha.
O Jerusalem Post e outros meios de comunicação citaram na quinta-feira uma declaração da Associação de Importadores de Grãos de Israel dizendo que a empresa que importava o grão foi forçada a recusar o navio.
A Zenziper, a empresa citada nos relatórios como importadora, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por e-mail.
Kiev considera que todos os grãos produzidos nas quatro regiões que a Rússia reivindica como suas desde que invadiu a Ucrânia em 2022, bem como a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, são roubados e protestou contra a sua exportação pela Rússia para outros países.
Moscovo não comentou o estatuto jurídico dos cereais colhidos em regiões que continuam a ser reconhecidas internacionalmente como ucranianas.
Ucrânia e Israel trocaram farpas diplomáticas esta semana, enquanto Kiev condenava o que dizia serem compras de grãos produzidos em território ucraniano ocupado pela Rússia. Israel disse que Kyiv não apresentou evidências de sua crença.
(Reportagem de Alexander Cornwell e Anna Pruchnicka, edição de Mark Potter, Tomasz Janowski, Emelia Sithole-Matarise, Ron Popeski e Deepa Babington)



