Militantes realizaram ataques na capital do Mali, Bamako, e em vários locais no interior do país na manhã de sábado, disse o exército do Mali, num ataque aparentemente coordenado envolvendo vários grupos.
Duas fortes explosões e tiros contínuos foram ouvidos pouco antes das 6h, perto da principal base militar do Mali, Kati, nos arredores da capital Bamako, e soldados foram enviados para bloquear estradas na área, disse uma testemunha da Reuters.
Houve agitação semelhante por volta da mesma época na cidade central de Sevare, na cidade de Kidal e na cidade de Gao, no norte do Mali. “Há tiros por toda parte”, disse uma testemunha em Sevare.
Um soldado maliano está em posição com sua arma durante um ataque à principal base militar do Mali, Kati, em 25 de abril de 2026. REUTERS
O Mali está a combater insurreições levadas a cabo pelos afiliados da Al Qaeda e do Estado Islâmico na África Ocidental. O país também enfrenta uma história muito mais longa de rebeliões lideradas pelos tuaregues no norte.
O exército do Mali afirmou num comunicado que grupos “terroristas” não identificados atacaram várias posições na capital e noutros pontos do país, sem especificar locais. Disse que os combates continuavam e pediu à população que permanecesse calma.
Os líderes militares do Mali assumiram o poder após golpes de estado em 2020 e 2021, prometendo restaurar a segurança, mas os militantes continuam a realizar ataques frequentes ao exército e aos civis.
Mohamed Elmaouloud Ramadane, porta-voz da Frente de Libertação Azawad (FLA), uma aliança rebelde dominada pelos tuaregues, disse nas redes sociais que as suas forças assumiram o controlo de múltiplas posições em Kidal e Gao.
A Reuters não conseguiu verificar esta afirmação de forma independente.
Quatro fontes de segurança disseram que Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), afiliado regional da Al Qaeda, também esteve envolvido nos ataques de sábado.
Não houve reivindicação imediata de responsabilidade por parte do JNIM, que frequentemente realiza ataques a instalações militares em grande parte do Mali, ou do Estado Islâmico na província do Sahel (ISSP).
Um porta-voz do governo e um porta-voz do exército do Mali não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
TIRO OUVIDO PERTO DO AEROPORTO, DIZ RESIDENTE
Tiros também puderam ser ouvidos na manhã de sábado perto de um acampamento militar próximo ao aeroporto de Bamako que abriga forças mercenárias russas, disse um morador.
“Ouvimos tiros em direção ao acampamento militar. Não é o aeroporto em si, mas o acampamento que protege o aeroporto”, disse o morador, que falou sob condição de anonimato por razões de segurança.
O governo liderado por Assimi Goita apoiou-se nos mercenários russos para apoio à segurança, ao mesmo tempo que inicialmente rejeitou a cooperação de defesa com os países ocidentais.
Recentemente, investigou laços mais estreitos com os EUA.
A Reuters informou em Março que o Mali e os EUA estavam perto de um acordo que permitiria a Washington retomar a pilotagem de aviões e drones sobre o espaço aéreo do país da África Ocidental para recolher informações sobre grupos jihadistas.



