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A Ford (NYSE:F) está recalibrando sua posição em relação à China de uma forma que pode ser mais importante do que a mudança nas manchetes sugere. Poucos dias depois de o CEO Jim Farley ter defendido que os fabricantes de automóveis chineses deveriam ser mantidos fora do mercado dos EUA, ele agiu no sentido de suavizar essa posição, sinalizando que a Ford ainda vê valor tangível em trabalhar ao lado deles. Falando depois de delinear uma reorganização empresarial, Farley destacou a capacidade dos fabricantes de automóveis chineses para fornecer veículos de baixo custo e alta tecnologia, sugerindo que estes concorrentes não são apenas uma ameaça, mas também uma referência que os intervenientes globais necessitam cada vez mais de medir.
Este enquadramento ajuda a explicar porque é que a Ford continua a envolver-se com parceiros chineses em múltiplas frentes. A empresa tem estado em discussões com o Zhejiang Geely Holding Group sobre a potencial capacidade de produção partilhada na Europa, ao mesmo tempo que explora se a BYD Co. (BYDDF) poderia fornecer baterias para os seus veículos híbridos. Ao mesmo tempo, as joint ventures existentes da Ford com a Chongqing Changan Automobile e a Jiangling Motors continuam a ser fundamentais para a sua presença na China. Embora Farley tenha enfatizado que não houve nenhum novo anúncio ligado a estes esforços, os seus comentários sugerem que a Ford poderia continuar a expandir estas relações à medida que a dinâmica competitiva evolui.
A nível político, a Ford parece estar a trilhar um caminho mais estreito. Farley indicou aos funcionários da administração Trump que se os fabricantes de automóveis chineses quiserem construir veículos nos EUA, deverão fazê-lo através de joint ventures onde as empresas americanas detenham o controlo acionário, uma abordagem que ecoa as exigências históricas da China para participantes estrangeiros. Para os investidores, a conclusão tem menos a ver com uma inversão e mais com o posicionamento: a Ford está a tentar equilibrar a cooperação com a protecção, ao mesmo tempo que reconhece que os fabricantes de automóveis que não consigam acompanhar o ritmo definido pelos concorrentes chineses poderão ter dificuldades em permanecer viáveis ao longo do tempo.



