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Crítica de ‘Gugu’s World’: Um encantador queer radiante do Brasil que chega à maioridade

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Crítica de 'Gugu's World': Um encantador queer radiante do Brasil que chega à maioridade

O filme brasileiro “O Mundo do Gugu” começa literalmente fiel ao seu título, mostrando ao público o quarto do seu personagem principal, cheio de tudo o que ele ama. O diretor Allan Deberton coloca muita história e caracterização nesses quadros de abertura. Dos troféus de futebol de Gugu ao guarda-roupa colorido e ao brilho no rosto, esse menino de 11 anos se revela de forma completa e econômica. Um retrato completo em poucos minutos. Ele é mostrado dançando e até usando uma capa. Um personagem cativante para se apaixonar instantaneamente, montando assim este filme encantador.

“Gugu’s World”, que ganhou o prêmio do júri na seção Geração da Berlinale, é um estudo generoso do personagem de uma pré-adolescente queer. Gugu (Yuri Gomes) mora com a avó Dilma (Teca Pereira), em uma pequena casa próxima à represa Araújo Lima. O vínculo entre eles é forte porque ele perdeu a mãe, filha de Dilma, quando era muito jovem. Ela o aceita incondicionalmente e o tempo que passam juntos é repleto de alegria lúdica. Na escola, ele está indo bem e tem duas namoradas que o apoiam. Ele também é uma estrela do futebol. É claro que ele tem um inimigo: um garoto chamado Francisco, que não é tão bom no futebol e que fica chamando Gugu de “maricas” enquanto o provoca em confrontos. Seu pai, Batista (Lázaro Ramos), o olha com decepção e o chama eufemisticamente de “palhaço”.

O roteiro de André Araújo consegue dar corpo a todas essas inter-relações com sensibilidade e nuances. O filme encontra espaço para contar a história do vínculo especial de Gugu e Dilma em cenas que parecem naturais. Destaque para o amor deles por “Time After Time”, de Cyndi Lauper, que era um dos favoritos da mãe de Gugu. Quando Dilma começa a fragilizar, Gugu faz de tudo para cuidar dela e evitar que outros invadam seu espaço. Embora diferentes, a mesma ternura transparece na relação entre pai e filho. Há mágoa e vergonha entre eles, mas também amor que pode levar a uma apreciação genuína um do outro a qualquer momento.

Mas acima de tudo Araújo surge esplendidamente com um herói de cinema inesquecível. Ao criar Gugu, ele escreve um personagem totalmente original que também parece imediatamente familiar. O público conhece Gugu muito bem e se apaixona por sua coragem, singularidade e determinação em proteger sua avó e o oásis de convivência. Em Gomes, os cineastas tiraram a sorte grande. O jovem ator traz coragem, tristeza e muita exuberância à sua atuação. Ele está em quase todos os quadros e mantém o filme unido com uma atuação fundamentada e espontânea que não tem nada da precocidade que prejudica a atuação de muitos jovens atores. Pereira combina com ele com carinho e o dueto é um prazer de assistir.

Visualmente o filme é tão colorido quanto a personalidade de Gugu. Deberton, em parceria com a designer de produção Dayse Barreto e a figurinista Gabriella Marra, preenche o quadro com cores vibrantes — rosa profundo e azul, roxo e amarelo, para mostrar a beleza e a vivacidade do mundo de Gugu. Ele pode estar preocupado com a avó, frustrado com o pai, às vezes desconfortável entre os colegas, mas está claro que ele gosta de si mesmo e sabe que perseverará.

É aí que reside a força deste filme. Nem tudo corre bem, há tragédia e tristeza, mas também um sentimento de esperança infinita que permeia o processo. A primeira frase que o personagem pronuncia no início do filme é que “ele vai salvar o mundo”. No final do filme, isso parece totalmente plausível, até mesmo crível. Se Gugu não salvar o mundo, ele pelo menos protegerá a si mesmo e a sua avó e tornará a vida deles tão maravilhosa quanto possível. O filme parece destinado a ser exibido em muitos festivais, principalmente nos queer. No entanto, “O Mundo do Gugu” agrada tanto ao público que merece ser amplamente visto pelo público. Eles terão um verdadeiro deleite.

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