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Pesquisador surpreso com imagens sem precedentes de comportamento extremamente raro na região dos EUA: ‘Parecia… dois (adicionais) olhos’

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Um cientista na Nova Inglaterra se deparou com imagens surpreendentes capturadas por uma câmera de trilha, mostrando o primeiro caso documentado desse estranho comportamento de inseto na região.

O que está acontecendo?

“Quase parecia que o alce tinha dois olhos (adicionais)”, disse Laurence Clarfeld, pesquisador ambiental da Universidade de Vermont, à Scientific American. “No início, eu não tinha certeza do que era.”

Clarfeld estava descrevendo uma cena em que podiam ser vistas mariposas alimentando-se de lágrimas de alce. Ele se deparou com o momento surpreendente enquanto revisava imagens de uma armadilha fotográfica na Floresta Nacional de Green Mountain.

Os insetos sedentos não estavam se entregando à schadenfreude, mas à lacrifagia, ou “comer lágrimas”, um processo pelo qual mariposas e outros insetos se alimentam das lágrimas de animais maiores – até mesmo de humanos.

E, no entanto, não é o ato em si que é notável, mas onde aconteceu. Há muito se supõe que a lacrifagia ocorre quase exclusivamente em climas tropicais. Observar esse comportamento em Vermont confunde a compreensão acadêmica ainda bastante limitada dele.

Segundo a Scientific American, existe apenas um outro caso conhecido e documentado de lacrifagia fora dos trópicos. Esse caso ocorreu em Arkansas.

Então, o que há nas lágrimas que os insetos acham tão atraentes? Ainda não há uma resposta definitiva, mas uma explicação possível é o teor invulgarmente elevado de proteínas das lágrimas, que é 200 vezes maior que o do suor.

Por que isso é preocupante?

Um dos maiores riscos da lacrifagia vem do seu potencial de espalhar doenças. Clarfeld e dois co-autores publicaram um artigo sobre as imagens na Ecosphere em novembro. Eles postularam que “as mariposas que visitam os olhos podem ser vetores de transmissão de doenças como a ceratoconjuntivite, uma condição que pode induzir lesões oculares em alces, com impactos significativos na saúde”.

Os alces já correm o risco de contrair doenças como a doença debilitante crónica, por isso dificilmente precisam de outra fonte de infecção. Além disso, os perigos poderão aumentar à medida que o aumento das temperaturas globais expanda o alcance das viagens dos vectores de doenças.

O que está sendo feito para entender melhor a lacrifagia?

Ainda há muito a aprender sobre a lacrifagia, especialmente agora que foi observada num tipo de clima totalmente novo. Para os cientistas, a descoberta casual é um apelo a mais investigação e sensibilização.

É também um lembrete de por que as câmeras de trilha são algumas das ferramentas mais poderosas na pesquisa da vida selvagem. Uma câmera bem posicionada pode revelar informações extremamente valiosas sobre a população e o status de uma espécie em uma área.

Como neste caso, as câmeras também podem revelar comportamentos até então desconhecidos que poderiam aprofundar nossa compreensão da natureza.

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