A Ópera Nacional de Washington está deixando sua antiga sede no recém-renomeado Trump Kennedy Center depois de mais de cinco décadas, citando dificuldades financeiras e conflitos artísticos após a aquisição do local por Donald Trump, informou o The New York Times.
O conselho de curadores da ópera votou na sexta-feira pela rescisão antecipada de seu acordo de afiliação com o Kennedy Center e pela retomada das operações como uma organização sem fins lucrativos independente. A decisão da ópera segue-se a um ano de declínio nas vendas de bilhetes, redução do apoio dos doadores e artistas boicotando o centro em protesto contra as políticas de Trump. Os cancelamentos recentes incluem a banjoista ganhadora do Grammy Béla Fleck e o compositor de Wicked Stephen Schwartz.
“Estou profundamente triste por deixar o Kennedy Center”, disse Francesca Zambello, diretora artística da ópera durante 14 anos, em comunicado divulgado ao The Times. “Tenho orgulho de ser afiliado a um monumento nacional ao espírito humano.”
A Newsweek entrou em contato com o Trump Kennedy Center por e-mail na noite de sexta-feira para comentar.
Trump, no início do seu segundo mandato, nomeou-se presidente do Kennedy Center e nomeou o aliado político Richard Grenell como diretor executivo, ao mesmo tempo que enchia o conselho de apoiantes.
Desde então, Grenell tem pressionado por mudanças radicais, incluindo a exigência de que todas as produções sejam neutras em termos de receitas, a proibição de certas apresentações que ele rotulou de “propaganda antiamericana” e a ordem de abertura de concertos com o hino nacional, informou o The Times.
No mês passado, Grenell criticou duramente um músico por cancelar uma apresentação na véspera de Natal no local depois que a Casa Branca anunciou que o nome de Trump seria adicionado ao prédio. Ele acusou o músico Chuck Redd de intolerância política em uma carta em resposta à retirada repentina, que Grenell disse ter ocorrido poucos dias antes do show gratuito programado. A carta, partilhada com a Associated Press, dizia que o cancelamento estava explicitamente ligado à recente mudança de nome da instalação, que Grenell descreveu como uma homenagem aos esforços de Trump para preservar a instituição artística.
Numa entrevista em novembro ao The Guardian, Zambello alertou que a ópera poderia deixar o Kennedy Center, dizendo que as políticas da administração Trump “destruíram” a confiança dos doadores e causaram uma queda de 40% nas receitas de bilhetes. “Se não conseguirmos arrecadar dinheiro suficiente ou vender ingressos suficientes lá, teremos que considerar outras opções”, disse ela. Depois dos seus comentários terem provocado reações adversas, Zambello e outros líderes reafirmaram o seu compromisso de permanecer. Desde então, disseram as autoridades, as condições só pioraram.
A resolução pede que a empresa desocupe a Opera House, com 2.364 lugares, do Kennedy Center, onde se apresenta desde 1971, e reduza sua programação como medida de redução de custos. Autoridades disseram que novos locais em Washington foram identificados, embora os contratos de arrendamento não tenham sido assinados. As negociações com Grenell sobre o acordo de afiliação – que data de 2011 – deverão ser controversas, especialmente no que diz respeito ao controle da doação de US$ 30 milhões da ópera, informou o The Times.
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