A primeira temporada de Cross, do Prime Video, a abordagem de Ben Watkins sobre um dos detetives mais memoráveis de James Patterson, foi sólida, mas não espetacular, muitas vezes parecendo mais um procedimento policial de rede do que um thriller psicológico tortuoso. A segunda temporada envolve o detetive da polícia DC Metro – e psicólogo forense – Alex Cross em um novo mistério, mas há muitas outras coisas acontecendo enquanto ele tenta resolvê-lo.
TEMPORADA CRUZADA 2: TRANSMITIR OU PULAR?
Tiro de abertura: Na costa de uma cidade tropical, um homem carrega um pequeno barco com caixas cheias de bebida e uma mulher entra sob o convés do barco.
A essência: Quando Donnie (Wes Chatham) chega à mansão em uma ilha particular, ele diz ao guarda na porta que o entregador de bebidas de sempre ligou dizendo que estava doente. Mas o que ele realmente está lá é para ajudar a mulher que ele está escondendo, Rebecca (Jeanine Mason), a executar seu plano de matar os ricos pervertidos da casa e salvar as jovens que foram traficadas para fazer sexo com eles. Enquanto mantém cativo o dono da mansão, ela explica o porquê, contando-lhe sobre a morte de sua mãe. Então ela o esfaqueia no pescoço e corta dois dedos dele.
De volta a Washington, DC, o detetive Alex Cross (Aldis Hodge) fala para uma nova turma de graduados da academia, admitindo seus erros e recebendo elogios pelos casos que resolveu. Depois de resolver o caso da morte de sua esposa e afastar Ed Ramsey, Cross quer voltar com sua ex Elle (Samantha Walkes). Seu parceiro/velho amigo John Sampson (Isaiah Mustafa) acha que não tem chance e, além disso, ela está namorando alguém. Mas quando ela aparece para jantar com seus filhos e sua mãe, assim como Sampson e sua namorada Malika (Ashley Rios), ele começa a pensar o contrário.
A agente do FBI Kayla Craig (Alona Tal) é informada por seu chefe (Ben Watkins) que ela está trabalhando com Cross em um caso especial; eles estão investigando ameaças contra um bilionário chamado Lance Durand (Matthew Lillard), que finalmente ligou para o FBI depois de receber dois dedos decepados. Enquanto o caso está acontecendo, Craig descobre que uma arma sem número de série que o MPD está investigando pode ser atribuída às atividades dela em um caso anterior. Sampson, que faz parte da força-tarefa liderada por Craig e Chase, é chamado para interrogar um suspeito que só falará com ele, por motivos que o abalarão profundamente.

De quais programas você lembrará? Ben Watkins baseou Cross nos romances de Alex Cross, de James Patterson, embora as histórias que Watkins e companhia estão escrevendo sejam novas. A série tem a sensação processual de séries como Luther, que coloca seu policial titular em um novo caso a cada temporada.
Nossa opinião: A segunda temporada de Cross sofre o mesmo destino de muitos programas policiais que têm um mistério central que leva seu personagem-título à distração durante a primeira temporada: uma vez que o caso é resolvido, os roteiristas mergulham o policial em um caso em que os riscos gerais podem ser altos, mas os riscos pessoais não. Essa é uma das razões pelas quais a segunda temporada sofre. Mas a outra razão é que a história está sendo espalhada entre o elenco principal, e estamos nos perguntando se haverá tempo suficiente para atender a todos eles.
Há Cross e Craig tentando essencialmente rastrear Rebecca, mesmo que ainda não saibam quem estão procurando. Ao mesmo tempo, Craig está tentando garantir que sua última operação – sobre a qual não sabemos muito – não volte para ela, porque por algum motivo o que ela fez lá foi ruim o suficiente para levá-la para a prisão federal. Cross está tentando reiniciar seu relacionamento com Elle. E a revelação (não tão) chocante que Sampson descobre quando é convidado a interrogar uma mulher que só fala com ele também vai entrar em sua cabeça.
Apesar de tudo, é claro, ainda temos a amizade de longa data de Cross e Sampson como marca do programa; a química entre Hodge e Mustafa ainda é evidente, seja eles fumando pela metade no Ben’s Chili Bowl (que, aliás, recomendamos fortemente) ou jantando com “Nana Mama” Regina (Juanita Jennings) e os filhos de Cross, Janelle (Melody Hurd) e Damon (Caleb Elijah). Ele é uma das poucas pessoas que consegue chamar a atenção de Cross, como faz quando pensa que as brincadeiras “psicobabáteis” de Cross e Craig não ajudam o resto da força-tarefa.
Essa amizade é útil, porque há tanta coisa acontecendo no primeiro episódio que não temos certeza do que vai chamar a atenção da história e do que vai murchar na videira.

Desempenho que vale a pena assistir: Aldis Hodge ainda dá a Alex Cross o nível certo de intensidade, no mesmo nível da interpretação de Morgan Freeman nos dois filmes de Cross em que ele participou.
Sexo e pele: Há algumas cenas em que primeiro Sampson e depois Cross ficam ocupados. A cena de sexo de Cross faz sentido, mas não temos certeza do que pensar do que acontece entre Sampson e Malika.
Foto de despedida: Após a surpresa de quem estava na sala de interrogatório procurando por Sampson, Cross e Sampson tomam uma cerveja na cobertura da delegacia.
Estrela Adormecida: Daremos isso a Melody Hurd, que interpreta a filha de Cross, Janelle, principalmente porque ela realmente vende o argumento de Janelle sobre por que ela deveria comprar um telefone celular.
Linha mais piloto: A chocante descoberta do passado de Sampson foi um pouco fácil de descobrir, mas ainda não vamos estragar tudo aqui.
Nosso chamado: STREAM, mas com reservas. A segunda temporada de Cross ainda tem muito charme, principalmente no relacionamento entre Cross e Sampson, mas parece que vai levar algum tempo para realmente descobrir qual será sua história principal.
Joel Keller (@joelkeller) escreve sobre comida, entretenimento, paternidade e tecnologia, mas não se engana: é viciado em TV. Seus escritos foram publicados no New York Times, Slate, Salon, RollingStone.com, VanityFair.com, Fast Company e em outros lugares.



