O jogador de 22 anos marcou dois gols contra a Tunísia, mas teve comemorações silenciosas contra o país natal de seu pai.
Publicado em 15 de junho de 2026
Para um jovem de 22 anos que se estreia na Copa do Mundo pela Suécia, Yasin Ayari só poderia ter sonhado com um começo melhor para sua estreia na maior vitrine do futebol.
Com um remate certeiro no canto superior da baliza da Tunísia, apenas aos sete minutos da primeira parte do jogo do Grupo H, em Monterrey, Ayari abriu o marcador para a equipa escandinava frente ao adversário norte-africano.
O jovem meio-campista, porém, não se deleitou com o momento como um jovem estreante na Copa do Mundo faria e, em vez disso, optou por manter as duas mãos para cima antes de cair no chão em sujoud (ato muçulmano de prostração).
A razão? A profunda ligação com a Tunísia que corre em seu sangue e que poderia tê-lo visto jogar pelo adversário há quatro anos.
Yasin Ayari não participou de grandes comemorações após marcar seu primeiro gol na partida (Julio Cesar Aguilar/AFP)
Ayari é de origem norte-africana, pai tunisino e mãe marroquina, mas nasceu na Suécia. Aos 18 anos, o promissor jogador de futebol decidiu representar o país onde nasceu, e não o dos pais, e o pai apoiou a decisão.
“Eu queria que ele jogasse pela Suécia”, disse Azzouz Ayari ao jornal sueco Aftonbladet, acrescentando: “Ele deveria sentir que está retribuindo ao país que cuidou dele”.
Azzouz, que migrou para o país escandinavo, revelou que foi oferecida ao filho uma vaga no lado tunisino, mas nem pai nem filho consideraram isso uma opção.
Ayari caiu no chão e se prostrou após marcar seu primeiro gol na Copa do Mundo (Julio Cesar Aguilar/AFP)
Ayari começou a jogar futebol aos sete anos nas categorias de base do clube de sua cidade natal, Rasunda, em Solna, antes de se transferir para o gigante do futebol escandinavo AIK, onde fez sua estreia na seleção principal em 2020.
O meio-campista ofensivo foi contratado pelo Brighton & Hove Albion, clube da Premier League inglesa, em 2023, estreando-se pela seleção sueca no mesmo ano.
Explicando a sua decisão de usar o amarelo e o azul da Suécia em vez do vermelho e branco da Tunísia, Ayari disse que era “natural” continuar a representar o país pelo qual jogou quando criança.
Quando os sorteios da Copa do Mundo de 2026 foram anunciados em dezembro, a ironia de jogar contra o país de origem de seu pai não passou despercebida a Ayari.
“Foi uma loucura termos acabado com eles em nosso grupo”, disse ele.
O jovem talento foi o jogador de destaque na vitória contundente da Suécia sobre a Tunísia e encerrou o desempenho dominante com outro gol individual escaldante aos 95 minutos.
Ayari encontrou a bola na entrada do gol tunisino e a mandou voando para o canto mais distante, marcando seu segundo gol na Copa do Mundo em seu jogo de estreia.
Desta vez, porém, ele comemorou e absorveu os aplausos da exultante multidão sueca.
Ayari comemora com Anthony Elanga e Mattias Svanberg após marcar o quinto gol de seu time (Dolores Ochoa/AP)
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