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O Irã iniciou 40 dias de luto depois que o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em ataques contínuos dos Estados Unidos e de Israel, de acordo com a mídia estatal iraniana.
Altos responsáveis da segurança também foram mortos nos ataques de sábado, juntamente com a filha, o genro e o neto de Khamenei. As mortes marcam um dos golpes mais significativos para a liderança do Irão desde a revolução islâmica de 1979.
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O presidente Masoud Pezeshkian condenou o assassinato como “um grande crime”, de acordo com um comunicado do seu gabinete. Ele também declarou sete dias de feriado, além do período de luto de 40 dias.
Reportando de Teerã, Tohid Asadi da Al Jazeera disse que as pessoas estavam tomando as ruas da capital após a notícia do assassinato de Khamenei.
“Haverá cerimônias esperadas”, disse ele, observando que provavelmente aconteceriam em meio a bombardeios contínuos em todo o país.
Pessoas choram na Praça Enghelab, em Teerã (Majid Asgaripour/Agência de Notícias da Ásia Ocidental via Reuters)
Protestos denunciando a morte de Khamenei também foram relatados em outros lugares, incluindo Shiraz, Yasuj e Lorestan.
“Haverá cerimônias esperadas”, disse ele, observando que provavelmente aconteceriam em meio a bombardeios contínuos em todo o país.
Imagens transmitidas pela mídia estatal iraniana mostraram apoiadores de luto no santuário do Imam Reza em Mashhad, com várias pessoas vistas chorando e desmaiando de tristeza.
O assassinato também gerou protestos no vizinho Iraque, que declarou três dias de luto público. Em Bagdad, os manifestantes confrontaram as forças de segurança na fortemente fortificada Zona Verde, que alberga edifícios do governo iraquiano e embaixadas estrangeiras.
Vídeos verificados pela Al Jazeera mostraram manifestantes agitando bandeiras e gritando slogans, com testemunhas dizendo que alguns tentavam se mobilizar em direção à Embaixada dos EUA. As imagens também mostraram manifestantes bloqueando veículos em uma rotatória perto de uma das entradas da área.
Manifestantes protestam perto da entrada da Zona Verde após o assassinato do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em Bagdá, Iraque, 1º de março de 2026 (Thaier Al-Sudani/Reuters)
Houve também um protesto na cidade paquistanesa de Karachi, onde imagens, verificadas pela Al Jazeera, mostraram pessoas ateando fogo e quebrando janelas do consulado dos EUA.
No entanto, também houve relatos de celebrações no Irão, com a agência de notícias Reuters citando testemunhas que afirmaram que algumas pessoas saíram às ruas em Teerão, na cidade vizinha de Karaj e na cidade central de Isfahan.
Entretanto, a agência de notícias oficial IRNA informou que um conselho de três pessoas, composto pelo presidente do país, o chefe do poder judicial e um dos juristas do Conselho Guardião, assumirá temporariamente todas as funções de liderança no país. O órgão supervisionará temporariamente o país até que um novo líder supremo seja eleito.
Khamenei assumiu a liderança do Irão em 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, que liderou a revolução islâmica uma década antes.
Enquanto Khomeini era considerado a força ideológica por detrás da revolução que pôs fim à monarquia Pahlavi, Khamenei continuou a moldar o aparelho militar e paramilitar do Irão, fortalecendo tanto o seu controlo interno como a sua influência regional.
Ataques em toda a região
Entretanto, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) prometeu vingança e disse ter lançado ataques a 27 bases que acolhem tropas norte-americanas na região, bem como a instalações militares israelitas em Tel Aviv.
Continuaram a ser reportadas explosões no Qatar e nos Emirados Árabes Unidos, enquanto alertas de segurança estão em vigor em vários países da região.
O presidente dos EUA, Donald Trump, num post nas redes sociais no domingo, alertou o Irão que seria atingido “com uma força que nunca foi vista antes” se retaliasse.
Os ataques retaliatórios do Irão desde sábado tiveram como alvo Israel e activos dos EUA em vários países do Médio Oriente, incluindo Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Jordânia, Arábia Saudita e Iraque.
Harlan Ullman, presidente da empresa de consultoria estratégica Killowen Group e conselheiro do Atlantic Council em Washington, DC, disse que os EUA podem ter cometido um “grande erro” ao matar Khamenei.
“A decapitação só funciona quando se conseguem todos os líderes, e não creio que tenhamos todos os líderes”, disse Ullman, acrescentando que os EUA não devem esperar que a liderança do Irão entre em negociações logo a seguir.
A mídia estatal iraniana informou no sábado que pelo menos 201 pessoas foram mortas nos ataques conjuntos EUA-Israel em 24 províncias, citando o Crescente Vermelho. No sul do Irão, pelo menos 148 pessoas morreram e 95 ficaram feridas num ataque a uma escola primária para meninas em Minab, no sábado, e o número de vítimas continua a aumentar, segundo a imprensa estatal.



