Se a República Islâmica atacar Israel, Jerusalém “agirá com uma força que o Irão nunca viu antes”, disse o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na segunda-feira.
“Estamos a acompanhar de perto o que está a acontecer no Irão”, disse Netanyahu ao Knesset, falando num debate com 40 assinaturas, que a oposição pode convocar uma vez por mês e ao qual o primeiro-ministro é obrigado a participar.
“Estamos todos olhando com admiração para a luta heróica dos cidadãos do Irão para alcançar a liberdade, o bem-estar e a justiça. Vemos as atrocidades do massacre ordenado pelos governantes do Irão”, continuou o primeiro-ministro.
De acordo com Netanyahu, “Ninguém pode prever o que o amanhã trará ao Irão, mas uma coisa é certa: não importa o que aconteça – o Irão não voltará a ser o que era”.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, diz que Israel “agirá com uma força que o Irã nunca viu antes” se atacar. ABIR SULTAN/EPA/Shutterstock
O maior movimento de protesto desde 1979 espalhou-se por todo o Irão, com manifestantes a encherem as ruas de Teerão, Mashhad e outras cidades em todas as 31 províncias.
A agitação foi desencadeada pela inflação e pelo colapso do rial, que caiu para cerca de 1,46 milhão por dólar. No entanto, o que começou como raiva em relação aos preços e à desvalorização da moeda transformou-se em apelos ao fim do regime clerical, com greves a encerrar empresas em centros comerciais.
Pessoas queimam uma efígie do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante um comício em frente à antiga embaixada dos EUA em Teerã. AFP via Getty Images
Membros da força paramilitar iraniana Basij, ao estilo dos militantes palestinos e libaneses, representam a detenção de Netanyahu durante um comício pró-palestiniano em 13 de outubro. Sobhan Farajvan/Pacific Press/Shutterstock
O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, reconheceu pela primeira vez no fim de semana que “vários milhares” foram mortos nos protestos nacionais que começaram em 28 de dezembro, ao mesmo tempo que atribuiu as mortes e os danos a “aqueles ligados a Israel e aos EUA”, conforme citado pela mídia estatal iraniana.
“Consideramos o presidente dos EUA um criminoso pelas baixas, danos e calúnias que infligiu à nação iraniana”, declarou o líder supremo.
O Canal 12 News de Israel informou no domingo que o sistema de defesa de Jerusalém acredita que o presidente Donald Trump ainda pode cumprir sua promessa de resgatar os manifestantes.
O canal disse que as forças aéreas e navais dos EUA deverão concluir os preparativos militares dentro de dias, dando a Washington a opção de ordenar um ataque em grande escala.
Efígies do presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sendo enforcados, são exibidas durante o 46º aniversário da expulsão dos EUA do Irã, em Teerã, no dia 4 de novembro. via REUTERS
As Forças de Defesa de Israel aumentaram o seu estado de prontidão em conformidade, enquanto Netanyahu teria convocado uma consulta de segurança com ministros seniores e funcionários da defesa para avaliar possíveis cenários.
O chefe do Estado-Maior das FDI, tenente-general Eyal Zamir, afirmou na segunda-feira que os militares permaneciam “preparados para empregar capacidades ofensivas sem precedentes em sua intensidade contra qualquer tentativa de prejudicar o Estado de Israel”.
“Estamos totalmente preparados defensivamente para todos os cenários. As lições da ‘Operação Leão Ascendente’ foram implementadas”, acrescentou Zamir, em referência à guerra de 12 dias de Israel com o Irão, em Junho, durante a qual a República Islâmica lançou centenas de mísseis balísticos contra Israel.
“Como parte disto, as FDI também estão se preparando para a possibilidade de uma guerra surpresa”, continuou o chefe do Estado-Maior, observando que o Comando da Frente Interna das FDI “está pronto na defesa – qualificado, treinado e alerta”.
Mísseis iranianos mataram 30 civis e um soldado das FDI fora de serviço durante a guerra de 13 a 24 de junho, ferindo mais de 3.000 e deslocando 13.000.



