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França restringe o acesso do embaixador dos EUA a autoridades após convocação de não comparecimento

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França restringe o acesso do embaixador dos EUA a autoridades após convocação de não comparecimento

O embaixador dos EUA, Charles Kushner, envia um funcionário da embaixada em seu lugar, a segunda vez para evitar uma convocação do Ministério das Relações Exteriores da França.

A França proibiu o embaixador dos Estados Unidos, Charles Kushner, de se reunir com ministros do governo francês, depois de ele não ter comparecido a uma reunião no Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros, em Paris, para explicar os comentários feitos pela administração Trump após o recente assassinato de um activista francês de extrema-direita.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês anunciou a decisão na segunda-feira, num momento em que as relações diplomáticas entre Paris e Washington continuam a deteriorar-se no meio de vários desacordos, incluindo sobre tarifas comerciais, a guerra na Ucrânia e o papel da Europa na luta contra a Rússia.

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“À luz desta aparente falha em compreender os requisitos básicos da missão embaixadora e a honra de representar o seu país, o ministro (Jean-Noel Barrot) solicitou que ele (embaixador Kushner) não tenha mais acesso direto a membros do governo francês”, disse o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.

O embaixador dos EUA pode continuar as suas funções diplomáticas e manter “intercâmbios” com autoridades, acrescentou o ministério.

O ministro das Relações Exteriores, Barrot, convocou Kushner depois que a embaixada dos EUA em Paris publicou no domingo comentários da administração Trump em Washington sobre a morte do ativista de extrema direita Quentin Deranque, de 23 anos, que foi espancado até a morte em uma briga com supostos ativistas de extrema esquerda, em um incidente que chocou a França.

Em vez de responder pessoalmente à convocação de Barrot, Kushner enviou em seu lugar um alto funcionário da embaixada, citando compromissos pessoais, informou a agência de notícias AFP, citando uma fonte diplomática.

Não foi a primeira vez que o embaixador recusou uma intimação emitida pelo Itamaraty.

Em Agosto de 2025, Kushner também foi chamado para o ministério depois de o governo francês ter criticado as suas críticas de que o presidente francês Emmanuel Macron não estava a combater o anti-semitismo.

O encarregado de negócios dos EUA participou nessa reunião em vez de Kushner.

A embaixada dos EUA em Paris e o Departamento de Estado norte-americano ainda não se pronunciaram sobre as medidas impostas ao embaixador.

A recusa de Kushner em se encontrar com o ministro apareceu nas primeiras páginas dos jornais franceses na terça-feira, informou o meio de comunicação France 24, com manchetes declarando que “as tensões estão altas” entre o ministério e a embaixada dos EUA.

‘Não temos lições a aprender’

Kushner, pai do genro do presidente dos EUA, Donald Trump, Jared Kushner, tem sido um pára-raios de controvérsia nos EUA.

Ele já havia perdido sua licença de advogado depois de ser condenado e preso por dois anos por contribuições ilegais de campanha, evasão fiscal e adulteração de testemunhas.

Mais tarde, ele foi perdoado por Trump.

As publicações originais nas redes sociais que irritaram o governo francês, e que mais tarde foram partilhadas pela embaixada dos EUA, foram feitas pelo Gabinete de Contraterrorismo do Departamento de Estado dos EUA, dizendo que o assassinato de Deranque “deveria preocupar-nos a todos”.

O post alertou ainda contra a ascensão do “esquerdismo radical violento” em França e o seu papel na morte de Deranque, dizendo que “demonstra a ameaça que representa para a segurança pública”.

“Continuaremos monitorando a situação e esperamos ver os autores da violência levados à justiça”, acrescentou.

O Ministro Barrot reagiu com raiva aos comentários da administração dos EUA, dizendo que a França não precisava de um sermão.

“Não temos lições a aprender, especialmente sobre a questão da violência, do movimento reacionário internacional”, disse ele, ao anunciar que convocaria Kushner para uma reunião na segunda-feira.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também opinou sobre a morte de Deranque, desencadeando uma guerra de palavras com Macron, que a instou a parar de “comentar o que acontece em outros países”.

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