O governo do presidente equatoriano Daniel Noboa aumentou as tarifas sobre o país vizinho, a Colômbia, para 100 por cento, a partir de 1º de maio.
Na quinta-feira, o Ministério da Produção do Equador emitiu um comunicado criticando a Colômbia por não abordar adequadamente o tráfico de drogas e a segurança das fronteiras.
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Foi a última salva numa disputa transfronteiriça em curso entre o direitista Noboa e o seu homólogo de esquerda na Colômbia, Gustavo Petro, que estão em conflito há meses.
“Depois de constatar a falta de implementação de medidas concretas e eficazes em matéria de segurança fronteiriça por parte da Colômbia, o Equador é obrigado a tomar medidas soberanas”, escreveu o Ministério da Produção no seu comunicado.
Justificou o aumento tarifário como um incentivo necessário para “enfrentar a presença do tráfico de drogas na fronteira”.
“Para o Equador, a segurança, bem como a luta contra a corrupção e o tráfico de drogas, são uma prioridade inegociável”, afirmou o ministério. “Esta medida reafirma o compromisso do país em proteger os seus cidadãos e salvaguardar a integridade do seu território.”
Noboa já tinha imposto à Colômbia tarifas de 50% sobre as suas exportações para o Equador a partir de Março. Isso, por sua vez, representou um aumento em relação à taxa tarifária de 30 por cento anunciada em Janeiro e implementada em Fevereiro.
Pouco mais de uma hora após o anúncio da nova tarifa, Petro respondeu nas redes sociais que as ações do Equador estavam a causar o colapso do Pacto Andino, um acordo regional de comércio livre cujas origens remontam à década de 1960.
“Isso é simplesmente uma monstruosidade, mas significa o fim do Pacto Andino para a Colômbia. Não temos mais negócios lá”, escreveu Petro.
Ele apelou à Colômbia para que desviasse o seu foco dos seus parceiros comerciais andinos e se voltasse para o Mercosul, uma aliança comercial liderada pelo Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e Bolívia.
“O Ministro das Relações Exteriores deve iniciar o processo para que nos tornemos membros plenos do Mercosul e nos conduza – com maior vigor – em direção ao Caribe e à América Central”, acrescentou Petro.
A escalada das tensões entre o Equador e a Colômbia ocorre nos últimos meses da presidência de Petro. Eleito em 2022, Petro é o primeiro presidente de esquerda da Colômbia e um antigo rebelde envolvido no conflito armado que já dura seis décadas no país.
Mas o seu governo tem enfrentado forte oposição de movimentos políticos de direita, tanto a nível interno como externo.
Líderes como Noboa e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenaram-no repetidamente por não fazer o suficiente para combater o comércio ilícito de drogas, apesar das apreensões históricas de drogas durante o mandato de Petro.
Em Novembro passado, o governo de Petro apreendeu um carregamento de cocaína no valor de cerca de 388 milhões de dólares, a maior apreensão de drogas numa década.
Mas Petro também defendeu uma política que chama de “Paz Total”, que envolve negociações com grupos rebeldes e redes criminosas para pôr fim ao conflito interno do país.
Trump e Petro têm estado em desacordo sobre várias questões, incluindo as políticas de imigração dos EUA e a sua campanha de bombardeamento de barcos no Mar das Caraíbas e no leste do Oceano Pacífico.
Em Setembro, porém, a administração Trump tomou a medida extraordinária de cancelar a certificação da Colômbia como parte integrante da sua “guerra às drogas”, dizendo que tinha “fracassado comprovadamente” nos seus esforços.
Depois, em Outubro, Trump sancionou Petro e a sua família, culpando o presidente colombiano por ter “permitido o florescimento dos cartéis da droga”.
Noboa repetiu a posição de Trump em várias questões de política externa, incluindo a sua campanha de pressão sobre outro governo de esquerda, Cuba.
Ele estava entre os líderes de direita na América Latina que se juntaram à coligação “Escudo das Américas” de Trump, concebida para enfrentar redes criminosas e cartéis na região.
Ao anunciar a série inicial de tarifas em Janeiro, Noboa afirmou que o seu país tinha demonstrado um “compromisso genuíno” no combate ao tráfico de drogas, enquanto a Colômbia não o fez.
“Fizemos esforços genuínos para cooperar com a Colômbia, mesmo quando enfrentamos um défice comercial superior a mil milhões de dólares anuais”, escreveu Noboa.
A Colômbia continua a ser o maior produtor mundial de cocaína, uma tendência persistente que existe desde antes da presidência de Petro.
Mas outros factores agravaram as tensões entre os dois vizinhos.
Na quarta-feira, por exemplo, o Equador chamou de volta o seu embaixador na Colômbia devido às declarações feitas por Petro sobre a prisão do político de esquerda Jorge Glas, chamando o ex-vice-presidente de “prisioneiro político”.
Noboa tinha avisado no início da semana que considerava tal retórica um “ataque à soberania (do Equador)”. Ele já havia enfrentado críticas por ter autorizado uma invasão à embaixada do México para prender Glas, o que levou o México a romper relações com o Equador.
Petro, entretanto, acusou Noboa de bombardear perto da fronteira com a Colômbia, como parte de operações militares conjuntas com os EUA. Autoridades colombianas afirmaram ter recuperado 27 corpos carbonizados na região fronteiriça.
Desde que o Equador impôs pela primeira vez as suas tarifas, a Colômbia suspendeu as vendas transfronteiriças de energia, que têm sido vitais para ajudar o governo do Equador a enfrentar a escassez de electricidade provocada pelas recentes secas. Também emitiu tarifas retaliatórias sobre certos produtos equatorianos.



