Os comentários surgem em meio a diferenças cada vez maiores entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que já foram parceiros próximos.
Publicado em 5 de janeiro de 2026
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O Egito afirma estar alinhado com a Arábia Saudita nos conflitos no Iémen e no Sudão, num momento de elevada instabilidade regional e de crescente rivalidade com os Emirados Árabes Unidos (EAU).
Durante conversações no Cairo, o presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, e o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan Al Saud, enfatizaram na segunda-feira as posições “idênticas” de seus países em “alcançar soluções pacíficas para as crises da região”, disse um comunicado da presidência egípcia.
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As soluções devem “preservar a unidade, a soberania e a integridade territorial dos Estados”, afirmou, destacando o Sudão, o Iémen, a Somália e a Faixa de Gaza.
A reunião surge num contexto de diferenças cada vez maiores entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, outrora parceiros próximos na política regional.
No Iémen, a Arábia Saudita e os EAU apoiam há muito tempo facções rivais dentro do governo fragmentado e reconhecido internacionalmente, que está em grande parte limitado pela oposição aos Houthis apoiados pelo Irão.
As tensões aumentaram em dezembro, quando o Conselho de Transição do Sul (STC), separatista apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, capturou duas províncias estratégicas, irritando Riade.
Uma delegação liderada pelo líder do STC, Aidarous al-Zubaidi, viajará para a Arábia Saudita, disseram duas fontes não identificadas à agência de notícias Reuters na segunda-feira. A visita ocorre dias depois de o CTE saudar um apelo ao diálogo por parte da Arábia Saudita para acabar com a recente escalada militar.
El-Sisi saudou a proposta da Arábia Saudita de acolher uma “conferência inclusiva” para grupos do sul do Iémen, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, apelou à desescalada e a um acordo político liderado pelo Iémen.
Sensibilidades regionais
O Sudão é outro ponto de atrito, onde o Egipto e a Arábia Saudita apoiam o líder de facto do país, enquanto os Emirados Árabes Unidos foram acusados de apoiar as Forças de Apoio Rápido (RSF) paramilitares.
A concorrência também se estendeu ao Corno de África, uma região estrategicamente vital ao longo das principais rotas marítimas globais.
A Arábia Saudita procurou reforçar os laços com o governo federal da Somália, enquanto os Emirados Árabes Unidos cultivaram relações estreitas com a Etiópia e a Somalilândia, uma república autodeclarada que se separou da Somália em 1991.
A recente decisão de Israel de reconhecer a Somalilândia, saudada por alguns em Abu Dhabi mas condenada por Riade, aumentou ainda mais as sensibilidades regionais.



