O apagão nacional da Internet no Irã durará até o final de março, disse um novo relatório – à medida que crescem os temores de que o acesso dos iranianos à Web seja permanentemente retirado como forma de Teerã controlá-los.
O Irão está agora há 10 dias num encerramento quase total da Internet, que a República Islâmica tem defendido como um meio de minar os alegados “terroristas” por detrás dos protestos antigovernamentais que tomaram conta do país.
O apagão, que deixou os manifestantes incapazes de coordenar e unir-se, supostamente continuará até pelo menos o Ano Novo iraniano, em 20 de março, disse o representante do governo Fatemeh Mohajerani, segundo a IranWire.
O acesso à Internet no Irão foi cortado em 8 de Janeiro, sem sinais de regresso, enquanto Teerão procura uma dissidência silenciosa. Tipo
Apesar da interrupção, surgiram imagens da violência brutal contra os manifestantes, provocando a condenação da comunidade internacional. MEK/The Media Express/SIPA/Shutterstock
O FilterWatch, um grupo que rastreia a liberdade na Internet no Irão, alertou que, à medida que o apagão continua, o regime está rapidamente a tentar implementar novas restrições para isolar ainda mais a República Islâmica do resto do mundo.
O plano de Teerã ameaça lançar o Irã em uma “nova era de isolamento digital” que permitiria ao atual regime implementar a censura em massa na Internet para esmagar toda e qualquer dissidência, disse FilterWatch.
“Não deve haver expectativa de reabertura do acesso internacional à Internet e, mesmo depois, o acesso dos utilizadores à Internet internacional nunca mais voltará à forma anterior”, alertou o grupo.
Teerã cortou pela primeira vez os serviços de Internet em todo o país em 8 de janeiro, uma tática típica do regime para reprimir a dissidência e impedir que as imagens da repressão se espalhassem – como fica evidente pelas paralisações anteriores durante os protestos de 2019 e 2022.
Teerã ainda facilitou a publicação de imagens de comícios pró-regime. Imagens Getty
O apagão permitiu que os últimos protestos permanecessem descoordenados, com a falta de acesso à Internet também a enterrar toda a extensão da repressão brutal do Irão às manifestações.
Mas algumas imagens e filmagens da violência contra os manifestantes ainda se espalharam e se tornaram virais, desencadeando o escrutínio internacional, já que o número de mortos subiu no domingo para pelo menos 5.000, disse uma autoridade iraniana à Reuters, citando números oficiais.
Especialistas que acompanham os movimentos de Teerã temem que o acesso à Internet se torne em breve um privilégio exclusivo para aqueles que estão alinhados com o regime.
Amir Rashidi – diretor de segurança cibernética e direitos digitais do Grupo Miaan, que administra o FilterWatch – disse que o acesso à Internet do Irã provavelmente será implementado em um sistema em camadas, com acesso concedido apenas àqueles aprovados pelo governo, informou a BBC.
Tal sistema acalmaria ainda mais as vozes daqueles que lideram a resistência contra o atual governo de Teerã, disse Rashidi ao meio de comunicação do Reino Unido.
Se for implementado, o Irão juntar-se-á a países como a China, que possuem sistemas em funcionamento para manter os seus cidadãos fora de websites populares de redes sociais, incluindo o Facebook e o YouTube.



