A partir desse momento, a estratégia do inimigo mudou para o desgaste. A Rússia em 2023 tentou focar na criação de linhas defensivas fortes, o que por um lado era lógico, servindo para repelir a nossa ofensiva, e por outro lado, desviava a nossa atenção do objetivo principal.
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Enquanto a Ucrânia recuava, a Rússia implementava uma economia de guerra, lançava propaganda, alterava a legislação e construía reservas estratégicas, ao mesmo tempo que nos arrastava para uma nova fase desgastante do conflito para a qual, tal como em 2022, não estávamos preparados.
Os acontecimentos de 2024 e 2025, apesar de pequenas conquistas na frente, indicam a eficácia absoluta de tal estratégia para a Rússia nos seus esforços para alcançar o seu objectivo político.
No entanto, uma guerra de desgaste também está a ser travada na frente política e na frente económica. As ações militares desempenham um papel importante na consecução dos objetivos políticos, mas não constituem a fase final.
Por exemplo, imaginemos que a Rússia ocupasse completamente a região de Donetsk. A guerra não terminaria, porque não alcançaria o objectivo político. A Rússia procura criar condições para alcançar o colapso da Ucrânia simultaneamente nas frentes militar, económica e política.
Na ausência de uma visão unificada de uma nova arquitectura de segurança no continente europeu, sem garantias de segurança e programas financeiros reais, a guerra com a Rússia corre o risco de se transformar numa guerra mais ampla pela captura da Europa Oriental.
A guerra nem sempre termina com a vitória de um lado e a derrota do outro. Nós, ucranianos, lutamos pela vitória completa, mas não podemos rejeitar a opção de um fim da guerra a longo prazo.
A paz, mesmo em antecipação à próxima guerra, proporciona uma oportunidade para mudanças políticas, para reformas profundas, para a recuperação total, para o crescimento económico e para o regresso dos cidadãos.
É até possível falar do início da formação de um Estado seguro e protegido através da inovação e da tecnologia; de reforçar os fundamentos da justiça através da luta contra a corrupção e da criação de um sistema judicial honesto; e do desenvolvimento económico, nomeadamente com base em programas internacionais de recuperação económica.
Mas tudo isto é impossível sem garantias de segurança eficazes.
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Essas garantias de segurança poderiam incluir: a adesão da Ucrânia à NATO, o envio de armas nucleares para o território ucraniano ou o envio de um grande contingente militar aliado capaz de confrontar a Rússia.
Porém, hoje não se fala sobre isso e, portanto, a guerra provavelmente continuará. Não só militarmente, mas também nas frentes política e económica. A Rússia pode mudar as ferramentas e formas da sua agressão, mas todas servirão o mesmo propósito.
Para nós, nesta situação, o principal objectivo político deveria ser privar a Rússia da oportunidade de levar a cabo uma agressão contra a Ucrânia num futuro próximo.
Valerii Zaluzhnyi é o embaixador ucraniano na Grã-Bretanha e foi comandante-chefe das forças armadas ucranianas de julho de 2021 a fevereiro de 2024.
The Telegraph, Londres



