Mês dos Namorados: A diversidade do Amor | Jornal em Destaque

Mês dos Namorados: A diversidade do Amor

Casais homoafetivos abordam questões sobre preconceito e diversidade neste Dia dos Namorados





Mês dos Namorados: A diversidade do Amor

08/06/2020 10:32 ( Atualizado em 17/07/2020 15:28) | Miguel Pereira | Comportamento |

Thais Carvalho

A data de 12 de Junho é marcada pelos apaixonados e mesmo com tanto amor não deveria haver distinção sobre quem são eles ou busca por motivos da manifestação desse amor.  No Dia dos Namorados nem tudo é romantismo para alguns casais, é sinal de luta e resistência. Para ter tranquilidade, casais homoafetivos ainda buscam locais onde há tolerância das manifestações de afeto entre eles, pois infelizmente ainda há lugares onde o preconceito está cruelmente presente. Muitos ainda precisam se policiar para não sofrer com as barreiras impostas pela discriminação, tomando cuidado para não ultrapassar os padrões que alguns dizem ser a “normalidade”, o que envolve controlar expressões corporais, tom de voz e até mesmo a forma de se vestir.  


O casal Igor Macesse (21) e Lucas Castro (22), estão há um ano juntos e alegam que esse fator acaba gerando medo; sempre que saem acabam se perguntando: “será que vamos voltar vivos?”.


O Brasil é um dos países com maior índice de violência e preconceito sobre o público LGBT. Mesmo com o crescente número de manifestações, projetos sociais e eventos de conscientização, o discurso de ódio permanece.  


O casal conta que é muito difícil viver em um país como o Brasil, onde mais acontece agressões e mortes de pessoas LGBT, mas que é necessário ser forte e continuar acreditando que isto irá diminuir. “Nossos gestos afetivos são gestos de amor e o amor não ofende e nem afronta ninguém”, relatou Igor.


Quando os comentários e atitudes de preconceito não partem de estranhos na rua eles acabam partindo de dentro de casa. Diversas famílias ainda não sabem lidar com a situação e muitas acabam praticando até violência física contra o membro da comunidade LGBT.


A família construída por Bianca Cuzatis e Ana Cristina (Foto acervo pessoal) A família construída por Bianca Cuzatis e Ana Cristina (Foto acervo pessoal)

Bianca Cusatiz, nascida e criada no terceiro distrito da cidade de Miguel Pereira (RJ) conta que hoje lida diariamente com preconceito. Ela e sua esposa Ana Cristina tem de lidar com a discriminação dentro da própria comunidade que vivem. Ana conta que quando largou o marido para vir morar na região com a Bianca, que era sua paixão desde os 12 anos de idade, sofreu diversas ameaças do seu ex-marido por conta da guarda de seu filho de cinco anos. Por ser mãe e viver um relacionamento homoafetivo a jovem relata que diversas pessoas, incluindo a própria família, alegaram que isto influenciaria muito na vida de seu filho, mas o pequeno Davi se orgulha do relacionamento da mãe e faz questão de contar para todos os coleguinhas de classe que ele tem duas mães.


Nas redes sociais é possível enxergar comentários negativos, mas também existe diversas correntes e comunidades de apoio e ajuda ao movimento; estas correntes são principalmente acionadas em datas como a do Dia dos Namorados, onde acaba subindo diversas hashtags sobre aceitação e diversidade. Uma das coisas que vêm crescendo é a visibilidade dos relacionamentos homoafetivos nas redes sociais. Se por um lado as gerações passadas tinham dificuldades para aceitar a si mesmas como homossexuais, hoje a comunidade LGBT busca dar maior visibilidade aos relacionamentos – isto está ligado com a totalidade em poder ser o que você é em todos os lugares, uma marca de resistência e orgulho. 


Legendas: Influenciadora Kaami Ortiz e sua namorada (Foto acervo Pessoal) Legendas: Influenciadora Kaami Ortiz e sua namorada (Foto acervo Pessoal)

A Influenciadora digital Kamille Ortiz (17), investe em conteúdo digital com diversas mensagens de empoderamento feminino e compartilhando seu relacionamento com a jovem Roberta Lopes (20), Kami Ortiz, como é conhecida na web, conta que os seus seguidores elogiam muito o relacionamento homoafetivo das duas e que elas nunca sofreram preconceito por parte deles. Esta segurança de si e visibilidade é uma espécie de apoio para os casais que ainda não se assumiram.


O apoio e o respeito são fundamentais, principalmente quando vem de dentro da própria casa, pois isto acaba gerando confiança e abrindo espaço para diversos debates. Neste processo de união e apoio, um mês após Ana Cristina e Bianca engatarem seu relacionamento, a irmã de Ana, Tereza Cristina, assumiu a sua homossexualidade, iniciando um relacionamento homoafetivo e ambos casais pretendem comemorar com festa de casamento e mostrando ao mundo resistência, união e respeito.


A data de 12 de Junho não carrega mais um conceito de estratégia de mercado como era rotulado há um tempo; hoje ela veste diversas bandeiras incluindo a da diversidade e busca especialmente comemorar o amor. Diversos setores da economia passaram aderir a causa mesmo ainda tendo atitudes preconceituosas em certos lugares; alguns buscam de alguma forma realizar campanhas publicitarias, bandeiras e frases como “Consideramos justa toda forma de amor”, letra da música do Lulu Santos.


Igor Macesse e Luca Castro, possuem um perfil no Instagram (@teamluigor), onde propagam esse amor com diversas sessões de fotos, deixando espaço aberto para membros da comunidade conversarem e buscarem apoio. Igor e Luca deixam uma mensagem para todos os cassais homoafetivos, neste Dia dos Namorados:


Desejamos que sejam muito felizes e continuem espalhando o vírus do amor neste tempo tão difícil, pois só ele pode curar o preconceito. Vocês não estão sozinhos, o amor entre duas pessoas do mesmo sexo não é nem nunca será um problema”.








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