O Olímpico: como um escanteio em uma disputa tensa criou o lendário ‘gol olímpico’ do futebol

Um Gol Olímpico ou um ‘Olímpico’ é um fenômeno raro no futebol. Para quem não sabe, um gol olímpico ocorre quando um jogador marca diretamente de escanteio. Embora a capacidade de bola parada de um cobrador de escanteio seja fundamental para sua ocorrência, também é frequentemente o resultado de uma defesa deficiente, especialmente do goleiro.

O que sabemos com certeza sobre o Objectivo Olímpico é que é um nome impróprio. Ao contrário do que o nome sugere, este não recebeu o nome de um gol marcado em um jogo olímpico. E o mais importante é que o objetivo que está na origem de tudo isso desempenhou um papel crucial na preparação do cenário para a edição inaugural da Copa do Mundo da FIFA.

O ano era 1924. O Uruguai havia conquistado o ouro olímpico do futebol em Paris. Por ser o maior prêmio do futebol mundial, o Uruguai foi considerado, com razão, o melhor time do mundo.

Para o seu vizinho sul-americano, a Argentina, isto foi difícil de aceitar. A Argentina não participou de Paris depois de perder a única vaga de qualificação do continente para o Uruguai.

Para resolver o debate, Argentina e Uruguai decidiram jogar em casa e fora. O primeiro jogo, em Montevidéu, terminou empatado com um gol para cada no dia 2 de setembro.

O segundo jogo, em Buenos Aires, no final do mês, teve de ser abandonado logo após o pontapé inicial, devido à superlotação do estádio. A partida finalmente aconteceu no dia 2 de outubro, diante de uma torcida argentina excessivamente zelosa.

O momento crucial veio aos 15 minutos da partida, quando o argentino Cesareo Onzari cobrou escanteio da direita e a bola entrou no gol para abrir o placar.

Atualmente, o IFAB alterou as regras para tornar tal objetivo legal apenas alguns meses atrás – para ser mais preciso, em junho de 1924.

Tamanho foi o significado das Olimpíadas e da medalha de ouro do Uruguai para o jogo que o gol de Onzari logo foi rotulado de ‘Gol Olímpico’ ou Gol Olímpico.

As seleções da Argentina (esquerda) e do Uruguai cumprimentam os espectadores antes da final da Copa do Mundo de 1930.

As seleções da Argentina (esquerda) e do Uruguai cumprimentam os espectadores antes da final da Copa do Mundo de 1930.

As seleções da Argentina (esquerda) e do Uruguai cumprimentam os espectadores antes da final da Copa do Mundo de 1930.

Claro que havia dúvidas quanto à intenção de Onzari – estaria ele apenas a tentar cruzar a bola? Segundo Eduardo Galeano, em seu livro ‘Futebol no Sol e nas Sombras’, Onzari insistiu ao longo da vida que fez isso de propósito.

A partida em si foi bastante violenta, com o Uruguai tendo recorrido a algum jogo agressivo. O zagueiro argentino Adolfo Celli quebrou a perna em uma dessas entradas uruguaias. A torcida da casa logo se voltou contra os jogadores uruguaios. Tamanha foi a intensidade do ódio que o time visitante teve que deixar o campo faltando quatro minutos para o final do jogo. A Argentina, que então vencia por 2 a 1, declarou-se vencedora.

Mas se a Argentina pensasse que tinha ganhado vantagem na rivalidade, logo se provaria que estava errada. Nas Olimpíadas de Amsterdã de 1928, o Uruguai se vingou, derrotando a Argentina na final e conquistando a segunda medalha de ouro consecutiva.

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A rivalidade continuou na primeira Copa do Mundo, com os dois times se encontrando novamente na final. Desta vez, a vitória foi ainda mais decisiva. O Uruguai venceu a Argentina por 4 a 2 e se tornou o primeiro vencedor de uma Copa do Mundo, diante de quase um lakh de torcedores nas arquibancadas de Montevidéu.

A batalha Argentina-Uruguai definiu o futebol global na década de 1920. E o Gol Olímpico é um dos momentos mais icônicos que emergem dessa rivalidade.

O Olímpico só aconteceu uma vez na história da Copa do Mundo. Marcos Coll, da Colômbia, foi o jogador que conseguiu isso em 1962, contra o lendário goleiro da URSS, Lev Yashin.

Publicado em 08 de junho de 2026

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