E se você tivesse potencial para experimentar duas vidas, mas nenhuma delas fosse particularmente emocionante? Essa é a pergunta que o romance de realidade alternativa de Drake Doremus faz, mesmo que chegue ao fim inadvertidamente.
O maior problema, na verdade, é que fica claro desde o início qual realidade ele quer que Ivy (“Game of Thrones”’ Emilia Clarke) escolha. Atrás da porta número 1 está Noah (Jack Farthing, “Poldark”), um Hugh Grant manqué que não é apenas seu chefe em uma fria torre corporativa, mas também a traiu e agora percebe que a quer de volta. E atrás da porta nº 2? Bem, aí está o comovente cantor Diego (Édgar Ramírez), que incentiva Ivy a perseguir seus próprios sonhos musicais em clubes de jazz enfumaçados.
Doremus, que escreveu e dirigiu, alterna entre essas linhas do tempo; em um deles, Ivy e Noah constroem um negócio genericamente corporativo, preparam jantares agradáveis em seu elegante apartamento em Londres e trabalham duro para começar uma família. No outro, Ivy e Diego se espalham por seu loft artístico, se relacionam com seus lindos filhos e cantam juntos sempre que possível.
A escolha é óbvia, certo?
Bem, deveria ser, mas os atores não entenderam a mensagem. Ramírez, duas vezes indicado ao Emmy (por “Carlos” e “American Crime Story”) é certamente talentoso o suficiente para vender esta pequena história. Mas ele parece hesitante aqui, um pouco rígido e desapegado demais para construir a química elétrica necessária para uma estrutura do tipo “quem deveria escolher”.
Farthing, por outro lado, é inesperadamente desarmante. Estamos preparados para odiar Noah, mas quando ele diz a Ivy que está totalmente comprometido e apoia os sonhos dela, ele realmente parece estar falando sério. Ele parece um vilão e parece uma segunda escolha, mas Farthing trabalha muito mais para criar o vínculo que qualquer heroína romântica exige.
O que, claro, nos leva à referida heroína. Clarke está vencendo em ambos os cenários, mas não é diferente em nenhum deles. E isso cria um dilema interessante.
Doremus empilhou as cartas com tanta força que basicamente está apenas nos empurrando de uma porta para a outra. A diretora de fotografia Marianne Bakke e o compositor Dan Romer seguem o exemplo, trazendo um calor extra ao romance de Ivy com Diego.
Às vezes, porém, as coisas não saem exatamente como esperamos. E, apesar dos esforços de todos, é possível que Ivy – doce, adorável e ainda em busca de algo que não encontra – esteja de fato em melhor situação em outra vida: procurando a Porta nº 3.