O Projeto Paradiso, uma iniciativa filantrópica de apoio ao setor cinematográfico brasileiro do Instituto Olga Rabinovich, selecionou a movimentada capital do cinema brasileiro, Recife, como local para seu terceiro encontro nacional da Paradiso Talent Network, em abril. Recife ganhou destaque internacional nas telas após o sucesso do filme quádruplo indicado de Kleber Mendonça Filho, “O Agente Secreto”, que se passa na capital pernambucana, além de ser o lar de outros grandes talentos brasileiros, como o diretor vencedor do Urso de Prata “A Trilha Azul”, Gabriel Mascaro, e Marcelo Gomes (“Cinema, Aspirinas e Abutres”).
São esperados cerca de 200 convidados, entre membros da Rede de Talentos Paradiso, membros do conselho consultivo do Projeto Paradiso, jogadores da região Nordeste do Brasil e convidados internacionais ainda a serem anunciados. Já em sua terceira edição, o encontro reúne profissionais do setor audiovisual brasileiro que já receberam apoio do Projeto Paradiso, no que é descrito como “um encontro único de um conjunto excepcional de talentos”.
Falando em talentos, o Projeto Paradiso está atualmente em um grande momento quando se trata de destacar prodígios brasileiros para o mundo. A organização participou recentemente do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam ao lado de mais de uma dúzia de membros de sua rede de talentos após o anúncio do ano passado do programa HBF+Brasil, entregue pelo Fundo Hubert Bals do IFFR em parceria com a iniciativa filantrópica brasileira, bem como RioFilme, Spcine e Embratur. O programa se dedica a apoiar o desenvolvimento inicial de projetos de cineastas segunda e terceira vez do Brasil.
Esse impulso continua em Berlim, onde, pela primeira vez, filmes desenvolvidos através da Incubadora do Projeto Paradiso têm sua estreia mundial em um grande festival de primeira linha. O programa, focado no desenvolvimento de longas de ficção brasileira, gerou dois títulos muito aguardados da Berlinale: o longa de estreia de Grace Passô, “Nosso Segredo”, que fez parte da coorte 2021, e “O Mundo de Gugu” (“Feito Pipa”), de Allan Deberton, desenvolvido na edição 2020 do programa.
Passô elogiou a Incubadora, dizendo que ela se tornou “uma referência para o desenvolvimento de projetos cinematográficos no Brasil”. A cineasta disse que o apoio que recebeu ao longo do programa foi “fundamental para dar vida a ‘Nosso Segredo’. “Fazer parte de um programa que engloba desenvolvimento de habilidades, artesanato, financiamento e encontros humanos foi transformador”, acrescentou ela. “Como artistas, estamos sempre em busca de um lugar como este: onde seja possível pensar, viver e sobreviver no mercado sem desistir de sonhos e experimentos que também desafiam os sistemas”.
“Nosso Segredo”, cortesia de Entrefilms / Wilssa Esser
‘Nosso Segredo’ © entrefilms / Wilssa Esser
O roteirista de “O Mundo de Gugu”, André Araújo, destacou os esforços de descentralização do programa, lembrando como aderiu à iniciativa durante a pandemia, um “momento de muita incerteza para todos e especialmente desafiador para cineastas de fora do Rio de Janeiro e de São Paulo”.
“Escrever é, por si só, um processo solitário, e a Incubadora criou um verdadeiro espaço de troca, tanto com outros roteiristas quanto com mentores”, continuou. “O investimento no roteiro e no roteirista, entendido como alicerce do cinema, deu tempo e estrutura para o ‘Mundo do Gugu’ amadurecer. Estrear na Berlinale tem um significado muito especial. É um projeto que nasceu de um lugar muito íntimo e agora começa a existir em diálogo com outras pessoas, outras culturas e outras perspectivas. Além da visibilidade, é a possibilidade do filme circular, criar encontros e abrir novos caminhos.”
O diretor Allan Deberton enfatizou o foco da iniciativa no desenvolvimento de parcerias, dizendo que fazer parte do programa “possibilitou o encontro de partes que se tornaram coprodutores e parceiros incríveis. A Deberton Filmes e a Biônica Filmes se uniram através do Projeto Paradiso, e sou profundamente grato por isso”.
Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso, disse que é um momento “especialmente significativo” para a Incubadora, visto que foi o primeiro programa lançado pela iniciativa filantrópica. “Acompanhar os projetos desde o desenvolvimento inicial até a estreia em um festival como a Berlinale reforça a importância do investimento consistente e de longo prazo nos processos criativos e nos cineastas brasileiros, fortalecendo suas trajetórias desde o início.”
Além de “Nosso Segredo” e “Mundo de Gugu”, o Projeto Paradiso está apoiando outros sete filmes brasileiros que se apresentam em Berlim por meio da iniciativa Brasil no Mundo, focada em fortalecer a presença do Brasil em festivais e mercados internacionais. Os títulos incluem “Isabel”, de Gabe Klinger, “If I Were Alive”, de André Novais Oliveira, e “Narciso”, de Marcelo Martinessi. A organização também está presente no Mercado de Coprodução da Berlinale com “Apneia”, de Lô Politi, que faz parte do Talent Project Market.



