RIO DE JANEIRO, Brasil — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou no dia 30 de maio no Rio2C a criação do Tela Brasil, um serviço público de streaming gratuito com um catálogo inicial de 555 produções brasileiras.
Qualquer pessoa com conta no Gov.br, plataforma digital oficial do governo federal brasileiro, pode fazer login na Tela Brasil. O novo streamer oferece 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou filmes para televisão, 267 curtas-metragens e 64 séries produzidas localmente de 1910 a 2025.
“A Tela Brasil ajudará as pessoas a entender melhor um país como o Brasil. Espero que a Tela Brasil se torne uma plataforma importante para aproximar os brasileiros de sua própria cultura. É muito importante para nós conhecermos nosso próprio povo”, disse Lula na cerimônia de lançamento. “Você encontrará uma seleção excelente e vibrante de programação na Tela Brasil.”
Lula fez o anúncio em cerimônia no Rio2C com representantes da indústria cinematográfica e televisiva e autoridades governamentais, como Margareth Menezes, ministra da Cultura do Brasil e cantor famoso, Eduardo Cavaliere, prefeito da cidade do Rio, e Ricardo Couto, governador interino do Estado do Rio.
Durante a cerimônia, o Ministério da Cultura e a Empresa Brasileira de Comunicação (BCE) firmaram acordo para que o catálogo da BCE com mais de 150 títulos, totalizando aproximadamente 3 mil horas de conteúdo, se junte à Tela Brasil.
O catálogo inclui programas de TV como o talk show “Sem Censura”. Entre os longas-metragens atualmente disponíveis na Tela Brasil estão “Deus Negro, Diabo Branco” (1964), de Glauber Rocha, “Xica da Silva” (1976), de Cacá Diegues, “O quatrilho” (1995), de Fábio Barreto, “A Hora da Estrela” (1985), de Suzana Amaral, “Quatro Dias de Setembro” (1997), de Bruno Barreto, Heitor. “Carandiru” de Babenco (2003), “Olga” de Jayme Monjardim (2004) e “Quase Irmãos” de Lúcia Murat (2005).
O governo federal investiu R$ 9 milhões (US$ 1,8 milhão) em 2024 e 2025 para criar a Tela Brasil, incluindo licenciamento de conteúdo, desenvolvimento tecnológico, recursos de acessibilidade, curadoria e gerenciamento de projetos. O Ministério da Cultura e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) desenvolveram a tecnologia da plataforma.
“A cultura abre mentes, amplia horizontes e nos ajuda a enxergar mais longe. Devemos criar oportunidades para que os brasileiros tenham acesso a tudo”, acrescentou Lula. “Temos artistas extraordinários. Porque não deveríamos ter orgulho de mostrar o que criamos? O nosso país deve passar por uma transformação para que possa, de uma vez por todas, traçar o seu próprio rumo e afirmar plenamente a sua independência.”
(Da esquerda para a direita) Ministra da Cultura Margareth Menezes, Presidente Lula, Primeira Dama Janja Lula da Silva e Ministro da Indústria Márcio Elias Rosa. Crédito: Filmart
Na cerimônia, Márcio Elias Rosa, ministro da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) do Brasil, destacou que a indústria audiovisual foi incluída na Nova Indústria Brasil (Nova Indústria Brasil), o programa guarda-chuva do governo federal para o desenvolvimento do setor industrial do país. Um grupo de trabalho do MDIC identificou 11 prioridades para o desenvolvimento da indústria audiovisual brasileira.

“A indústria audiovisual responde por 0,6% do PIB do Brasil e gera mais de 680 mil empregos diretos, empregando uma força de trabalho altamente qualificada. Nosso objetivo é aumentar sua participação no PIB para 1%. É uma meta ambiciosa, mas esses profissionais são capazes e estamos empenhados em trabalhar para isso”, disse Rosa. Ele acrescentou que no dia 17 de junho o governo realizará um seminário reunindo representantes de bancos públicos federais – Caixa Econômica Federal, BNDES e Banco do Brasil – e de outras instituições públicas, como a Finep, para desenhar linhas de crédito voltadas para a indústria audiovisual.