Em março passado, o LA Times proclamou que Nathy Peluso havia encontrado sua linguagem musical. Ainda naquele ano, a cantora argentina decidiu misturar as coisas lançando seu EP de 2025, “Malportada”.
Afastando-se de suas inclinações urbanas e alternativas misturadas com notas de R&B, o EP de seis músicas era uma oferta de salsa tradicional e direta que apresentava uma colaboração com a banda híbrida de salsa venezuelana Rawayana na faixa-título.
“Minha experiência de ser mulher e fazer música sempre foi falar sobre minha liberdade (e) como me sinto”, disse ela ao The Times em entrevista recente na famosa loja de discos Amoeba Music, em Hollywood. “A salsa me parece um palco que os convida a se expressarem plenamente, a falarem alto, a dançarem livremente e a se sentirem poderosos.”
Peluso já havia se envolvido no gênero salsa com faixas como “Puro Veneno” de 2020, “Mafiosa” de 2021 e a música salsa erótica “Erotika” de 2025, mas nunca havia dedicado um projeto inteiro ao estilo musical caribenho.
A abordagem da artista de 31 anos foi especialmente ousada, já que ela já havia sido acusada de apropriação cultural por gravar músicas de salsa.
“É (minha) função na sociedade”, disse Peluso anteriormente ao The Times em uma entrevista de 2025, quando questionado sobre as críticas às suas geléias de salsa. “Não sou o tipo de artista complacente ou politicamente correto. Não faço nada com a intenção de agradar aos outros. Escolhi a missão de trazer a salsa de volta ao presente porque sou apaixonado por ela. Se um gênero me dá tantas sensações maravilhosas, quero que todos os outros as sintam também. Enquanto as pessoas discutirem, elas terão que ouvir as músicas – e como resultado, elas ouvirão salsa.”
A aposta de Peluso valeu a pena – já que “Malportada” foi tão bem recebida pela crítica, fãs e pela comunidade salsa em geral que ela conseguiu ser contratada como co-headliner do próximo Salsa Spectacular do Hollywood Bowl na quarta-feira.
Nos últimos anos, a salsa passou por um renascimento – em parte graças ao sucesso do álbum universalmente aclamado de Bad Bunny, “Debí Tirar Más Fotos” – que contou com os sucessos de salsa fusion “Baile Inolvidable” e “Nuevayol” – e ao LP de 2024 de Rauw Alejandro, “Cosa Nuestra”.
Mas para Peluso, sua integração ao mundo da salsa demorou muito para chegar.
“Cresci ouvindo Gloria Estefan, me apaixonei (pelo álbum de 2000) ‘Alma Caribeña’, me apaixonei pela riqueza daquela música”, disse Peluso. “Tenho uma relação forte com a salsa desde jovem, embora não tenha crescido em um lugar que foi berço desse gênero.”
Peluso nasceu na cidade argentina de Luján e lá viveu até os 9 anos, quando sua família se mudou para a Espanha, acabando por se estabelecer na cidade de Alicante, no sudeste.
Além de Estefan, ela citou a inspiração do percussionista nuyoricano Ray Barretto, da orquestra de salsa porto-riquenha El Gran Combo de Puerto Rico e dos ícones do gênero Héctor Lavoe e Willie Colón.
(Ronaldo Bolanos/Los Angeles Times)
“Ao longo da minha carreira, sempre flertei com o gênero”, disse Peluso. “Depois de fazer a divulgação do (álbum de 2024) ‘Grasa’, cheguei a um ponto em que percebi que estava pronto para fazer meu disco de salsa, e isso coincidiu com o atual boom da salsa.”
Ao mesmo tempo em que respeita a tradição musical, Peluso também imbuiu seu toque no gênero com um pouco da energia feminina arrogante frequentemente encontrada na música urbana – como é evidenciado na faixa “A Caballo” de “Malportada”.
“Cresci ouvindo muita salsa masculina e achei que seria interessante abordar esse tipo de energia do ponto de vista feminino”, explicou. “(Para pegar) todas essas histórias de perigo, sexo e desejo pelas quais o gênero é conhecido, mas dar-lhes um toque feminino.”
Peluso reforçou ainda mais sua boa-fé na salsa quando se juntou a duas lendas da música caribenha no ano passado.
Em setembro, ela colaborou com seu ídolo Estefan para um remix da faixa “Chirriqui Chirri”, de 1993. A dupla cantou a música explosiva no show do Grammy Latino de 2025. Em fevereiro, Peluso entrou em estúdio com o salsero porto-riquenho Marc Anthony para gravar a faixa original “Como en el Idilio”.
“Foi incrível cantar com (Anthony) porque ele é uma das lendas de todos os tempos da salsa que expandiu o gênero em todo o mundo”, disse Peluso. “Foi uma bênção cantar com Marc e Gloria neste momento da minha carreira em que decidi representar a salsa do meu ponto de vista.”
Para seu show no Hollywood Bowl, Peluso será acompanhada pelo coletivo de salsa colombiano Grupo Niche, um grupo vencedor do Grammy e do Grammy Latino que existe desde o final dos anos 70.
“Há anos que admiro o Grupo Niche”, disse Peluso. “Nós nos conhecemos no Grammy Latino há alguns anos e realmente nos demos bem. Há pouco tempo, quando me ofereceram para fazer o show do Hollywood Bowl ao lado deles, foi óbvio.”
Mas a maior honra que Peluso espera é tocar no palco sagrado do Hollywood Bowl.
“É como tocar em um palácio para mim”, disse ela sobre o local histórico. “A última vez que estive em Los Angeles para a turnê ‘Grasa’, saí querendo mais. Eu sabia que teria que esperar até minha próxima turnê para experimentar, mas não esperava que minha próxima turnê acontecesse tão rapidamente. É um lugar tão mítico, é um luxo.”