O ministro da Cultura israelense, Miki Zohar, intensificou sua campanha contra a indústria cinematográfica do país com um novo anúncio primário do Likud que zomba dos cineastas israelenses como aproveitadores anti-Israel e promete redirecionar o financiamento público para longe de filmes que ele diz “denegrir” os soldados israelenses.
Zohar, um membro sênior do partido de direita Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, divulgou o vídeo como parte de sua campanha antes das primárias do partido, poucos dias antes do início do Festival de Cinema de Jerusalém, que abre hoje com o drama familiar de Moshe Rosenthal, “Tell Me Everything”.
O vídeo, divulgado nas redes sociais, retrata um set de filmagem onde cineastas israelenses encenam alegremente cenas cada vez mais grotescas de soldados abusando de palestinos – roubando um balão de uma criança, atropelando pão pita com um tanque e destruindo as plantas de uma mulher palestina idosa – enquanto um diretor insta os atores a fazerem os soldados parecerem “mais malvados”.
Os cineastas israelitas são retratados como ansiosos por expor ao mundo os supostos males do exército israelita, ao mesmo tempo que o fazem com dinheiro do governo.
“Durante anos, a fórmula foi simples: difamar Israel e receber um cheque do governo”, diz Zohar no clipe. “Não mais.” O ministro prossegue dizendo que a reforma que iniciou “transfere o nosso dinheiro de filmes que Israel odeia e adora para filmes que os israelitas adoram”, acrescentando: “Este é o fim da era em que os soldados israelitas são enegrecidos às custas dos cidadãos israelitas”.
O comercial marca mais uma escalada no confronto de longa data de Zohar com a comunidade cinematográfica de Israel, que se aprofundou depois que o Prêmio Ophir do país selecionou “O Mar”, um drama centrado em um menino palestino, como melhor filme e indicação de Israel ao Oscar no início deste ano.
Zohar, membro do partido Likud de Netanyahu, decidiu suspender o financiamento governamental para os Prémios Ophir após a vitória do filme, argumentando que o dinheiro dos contribuintes não deveria apoiar obras que ele considerava desrespeitosas para com os militares israelitas.
A posição de Zohar alarmou muitos no sector cultural israelita, que há muito é uma das exportações culturais do país com maior visibilidade internacional – com cineastas como Lapid, Samuel Maoz, Joseph Cedar e Ari Folman a ganharem importantes prémios em festivais e nomeações para os Óscares.
Os cineastas israelitas já enfrentam uma pressão crescente a nível internacional, com festivais até a boicotá-los devido aos seus supostos laços com o Estado israelita. Em junho, mais de 350 figuras da indústria cinematográfica, incluindo Natalie Portman, Justine Triet e Jacques Audiard, assinaram uma carta aberta em defesa do cineasta israelita Nadav Lapid depois de este se ter retirado do festival de cinema FID de Marselha, no meio de pressões de boicote à sua planeada participação como membro do júri.
Essa controvérsia sublinhou a dificuldade que os cineastas israelitas enfrentam agora, já que até mesmo alguns dos críticos mais ferrenhos do governo de Netanyahu e da guerra em Gaza estão a ser visados como representantes de Israel; enquanto em casa, o governo israelita critica esses mesmos cineastas como desleais e indignos de apoio público.