Reino Unido sanciona russos e diz ter desenvolvido armas químicas usadas para matar Navalny

LONDRES (Reuters) – O Reino Unido impôs sanções nesta segunda-feira a dois institutos de pesquisa russos e a funcionários seniores que disse estarem ligados ao programa de armas químicas de Moscou e envolvidos no desenvolvimento de toxinas usadas para envenenar o ativista da oposição russa Alexei Navalny.

As sanções, lançadas pela Grã-Bretanha como forma de expor e dissuadir o uso de armas químicas pela Rússia, surgem antes da cimeira da NATO na capital turca, Ancara, e depois de uma medida semelhante da União Europeia.

Em 2020, Navalny adoeceu gravemente num voo na Sibéria e laboratórios ocidentais concluíram que ele tinha sido envenenado com um agente nervoso Novichok, uma classe de agentes nervosos de nível militar ‌desenvolvida durante a era soviética.

Em 2024, ⁠Navalny morreu após ser envenenado com epibatidina, uma toxina de sapos venenosos, disseram a Grã-Bretanha e outros aliados europeus. A Rússia negou as acusações – estava por trás dessa morte.

O governo britânico disse na segunda-feira que os sancionados estavam envolvidos no desenvolvimento do agente Novichok e da Epibatidina.

A ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper, disse que o “uso repetido de armas químicas” pela Rússia era uma violação do direito internacional e uma ameaça à segurança global.

“Desde o uso de agentes nervosos Novichok em Salisbury até a epibatidina na Sibéria, envenenando Dawn Sturgess e Alexei Navalny, a Rússia continua a usar ferramentas bárbaras para infligir morte e sofrimento a civis inocentes, inclusive na Ucrânia”, acrescentou ela.

A embaixada da Rússia em Londres disse em uma postagem na plataforma de mensagens Telegram que rejeitou “categoricamente” tal declaração, chamando-a de “calúnia”.

A embaixada disse que os supostos estavam sendo usados ​​para promover o que descreveu como uma ameaça russa imaginária e para justificar o confronto com Moscou.

Novichok também foi usado no envenenamento em 2018 do ex-agente duplo russo Sergei Skripal e sua filha Yulia em Salisbury – um ataque ao qual eles sobreviveram, mas que levou à morte de um civil, Sturgess, que mais tarde entrou em contato com um recipiente descartado da substância.

Um inquérito público britânico concluiu no ano passado que o presidente russo, Vladimir Putin, deve ter ordenado o ataque de agentes de inteligência do GRU a Skripal.

A Rússia sempre negou qualquer envolvimento nesse incidente, classificando as acusações como propaganda anti-russa.

(Reportagem de Sam Tabahriti; escrito por Muvija ​M; editado por William James e Andrew Heavens)

Fuente