O Brasil realmente precisa de Neymar?
Grande parte da preparação do Brasil para a Copa do Mundo e seu início foram dedicados a Neymar – seu estado físico, suas habilidades em declínio e seu papel potencial nesta equipe.
A decisão do técnico Carlo Ancelotti de adicioná-lo à seleção de 26 membros para a Copa do Mundo já gerou reações polarizadas.
Os pessimistas foram comprovados logo depois que Neymar foi excluído dos dois primeiros jogos do Brasil na fase de grupos devido a uma lesão na panturrilha.
Mas Ancelotti confirmou após o segundo jogo que o jogador de 34 anos estaria disponível para a seleção contra a Escócia, no último jogo do Brasil na fase de grupos.
É quase certo que Neymar só sairia do banco contra os escoceses. Mas agora surge a questão de onde ele se encaixaria nesta unidade do Brasil.
Antes do torneio, Ancelotti confirmou seus planos para Neymar.
“Neymar tem que jogar na posição que deve jogar. É no centro do campo; ele não pode jogar como lateral. Ele não jogará como ponta; jogará no centro do campo, como atacante ou meio-campista ofensivo”, disse Ancelotti.
Outra questão é que Ancelotti ainda está descobrindo sua melhor combinação com o Brasil. Mas depois da vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, parece provável que Matheus Cunha tenha se mantido na posição de centroavante, enquanto Lucas Paquetá está crescendo na posição de meio-campista central mais avançado.
A linha de frente do Brasil funcionou bem na ausência de Neymar. | Crédito da foto: AP
A linha de frente do Brasil funcionou bem na ausência de Neymar. | Crédito da foto: AP
Isso significaria que Neymar poderia substituir Cunha ou Paquetá mais tarde no jogo contra a Escócia, para marcar sua quarta Copa do Mundo.
LEIA TAMBÉM: Presidente Lula zomba de Neymar ‘trabalhado em casa’ enquanto o Brasil espera pelo ferido número 10
Na melhor das hipóteses, o que diferenciava Neymar dos demais era sua natureza direta – uma disposição incessante de atacar os defensores. Grande parte do futebol do Brasil nas últimas três Copas do Mundo girou em torno de sua habilidade no drible e de criar chances do nada.
Mas com seu ritmo explosivo evidentemente diminuído, resta saber até que ponto Neymar pode ser eficaz nesta Copa do Mundo.
O que é inquestionável é a vontade de Neymar. Ele sabe, mais do que ninguém, que esta Copa do Mundo é sua última chance de se tornar um dos grandes; sentar-se na mesa principal do futebol, ao lado de nomes como Messis, Maradonas e Peles.
Não são muitos os que duvidam do talento de Neymar. Mas são suas realizações que o impedem de alcançar a grandeza.
Nos últimos anos, a trajetória de Neymar desviou-se devido a uma combinação de escolhas de carreira calamitosas e uma constelação de lesões corrosivas.
Depois de algumas noites inebriantes em Barcelona, ele vagou pelo PSG antes de aterrissar na Arábia Saudita para uma passagem luxuosa, mas lesionada, pelo Al Hilal. Por fim, ele foi para o exterior em seu clube de infância, o Santos, com a carreira e o corpo quase totalmente destruídos.
Já faz algum tempo que se sabe que as pernas de Neymar não têm condições de refazer o longo e árduo percurso do futebol europeu de clubes. Sua mente certamente não tem coragem.
Tudo o que resta para Neymar é esta Copa do Mundo – um caminho rápido para a glória; um empurrão final e avassalador para cumprir o que ele acredita ter sido sempre o seu destino.
“Será minha última missão”, afirmou antes do torneio. “Vou atrás deste troféu da Copa do Mundo de todas as maneiras que puder.”
Resta a dúvida se a atual seleção brasileira precisa de Neymar. Mas o que está claro é que Neymar precisa do Brasil – agora mais do que nunca.
Publicado em 23 de junho de 2026
