RioFilme Impulsionou Presença em Xangai, Enquanto Cineastas Elogiam ‘Apoio Contínuo’ e ‘Aumento de Investimento’ em Filmes Locais

Já se passaram dois anos desde que “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, vencedor do Oscar, catapultou o Rio de Janeiro para as telas de todo o mundo, e o impulso continuou a crescer graças aos esforços coordenados da RioFilme. A Agência Municipal de Cinema e Audiovisual do Rio de Janeiro tem intensificado os investimentos na indústria audiovisual da cidade, apoiando projetos que hoje levam o nome da cidade para todo o mundo.

E a agência está colhendo o que plantou, com a RioFilme apoiando três filmes que serão exibidos no renomado Festival de Cinema de Xangai deste ano: “O Deserto de Luiza”, de Alan Minas, na competição principal; “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, na seleção Focus Brasil, entregue no âmbito do Ano da Cultura China-Brasil 2026, e “Coração das Trevas”, de Rogério Nunes, na seção de animação. Veja abaixo informações completas sobre os títulos.

Em conversa com a Variety antes da estreia mundial de “O Deserto de Luiza”, Minas diz estar emocionado por iniciar a jornada do filme em um festival de “tamanha importância”. “Acredito que, apesar da distância geográfica e das diferenças culturais, essa distância pode ser diminuída graças aos temas do filme”, acrescenta, sublinhando a universalidade da família.

“Todo o filme foi pensado no contexto brasileiro, mais especificamente no Rio de Janeiro”, continua o diretor. “Mas, apesar disso, existe em diálogo com pessoas de todo o mundo porque aborda saúde e cuidado mental. O filme abre a possibilidade de discutir a saúde mental para além do diagnóstico, para falar sobre como ela afeta as pessoas ao seu redor.”

Capai, que iniciou sua jornada cinematográfica no Festival de Cinema de Berlim no início deste ano, fala com carinho sobre a exibição do filme no festival e seu entusiasmo com a seleção de Xangai. “O filme cita a China duas vezes, por isso estamos entusiasmados por estar no festival e é um enorme prestígio e orgulho para nós sermos selecionados.”

Assim como “O Deserto de Luiza”, “A Fabulosa Máquina do Tempo” trata de um contexto social e cultural muito específico, mas Capai diz que o filme também tem grande universalidade ao abordar suas questões através das lentes da infância. “Muitas vezes ouvi depois de uma exibição que o filme trazia alguém de volta à sua própria infância. O filme aborda medos, a transição da infância para a adolescência, tornar-se mulher… Gera uma conexão imediata com o público.”

“A Fabulosa Máquina do Tempo”

A fabulosa máquina do tempo, cortesia da tela dividida

Daniela Vitorino, que produziu “O Deserto de Luiza” pela Caraminhola Filmes, diz que a RioFilme teve um “impacto essencial” no filme. “Eles são coprodutores do filme, além de nos apoiar na distribuição”, acrescenta. “A união de instituições regionais e federais é muito importante. Fortalece a produção e o alcance desses filmes. A visibilidade é muito maior. A RioFilme é uma grande parceira da Caraminhola Filmes há anos. Eles têm conseguido manter um calendário regular de financiamento e aumentar os recursos a cada ano, o que aumenta as chances de filmes serem feitos e encontrarem público.”

Minas faz coro com seu produtor ao dizer que, sem o apoio da RioFilme, “O Deserto de Luiza” “não teria sido feito”. “Acho que a presença de uma entidade pública não só possibilita a realização de filmes, mas também permite um diálogo direto com a sociedade.”

Mariana Genescá, que produziu “A Fabulosa Máquina do Tempo” pela produtora Amana Cine, também usa a palavra “essencial” ao se referir ao apoio da RioFilme. O produtor afirma que o seu apoio permitiu que o filme não só estivesse em Xangai, mas também viajasse pelo mundo através de grandes festivais como Berlim, Salónica, Cartagena e Guadalajara.

“De forma mais ampla, acredito que instituições como o RioFilme desempenham um papel estratégico no desenvolvimento da indústria audiovisual brasileira, especialmente quando se trata de cinema e documentário independentes”, acrescenta Genescá. “Muitas vezes são essas instituições que viabilizam projetos que de outra forma teriam dificuldade em encontrar financiamento no mercado regular, mas que possuem uma enorme relevância artística e impacto social.”

Genescá cita o RioFilme como “um exemplo importante” de instituição que permite o “fortalecimento de uma indústria audiovisual sustentável” por meio de “cadeia contínua e previsível de investimentos que contemplam desde o desenvolvimento até a produção e distribuição”. “Recentemente tivemos uma série de documentários indicada ao Emmy que contou com o apoio da RioFilme durante a fase de desenvolvimento”, acrescenta. “Isso mostra como investimentos consistentes e de longo prazo podem gerar impacto real e ampliar a presença das obras audiovisuais produzidas no Rio de Janeiro.

Questionados sobre como avaliam a temperatura do cinema brasileiro — e da indústria cinematográfica brasileira hoje — tanto Minas quanto Capai são positivos em suas análises. Minas menciona como o sucesso de “Ainda Estou Aqui”, de Salles, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, fizeram com que o público “aceitasse mais um filme de língua portuguesa, o que costumava ser um problema. Houve uma certa resistência”.

Capai rotula de forma comovente o cinema como um “criador de uma imagem nacional”, no sentido de que desperta a curiosidade do público internacional por um país com o qual, de outra forma, não estariam tão familiarizados ou do qual teriam uma certa imagem estereotipada. Relembrando a experiência de exibir o filme em Berlim, a diretora conta que seus filhos a procuraram e disseram que agora gostariam de visitar o Brasil depois de assisti-lo na tela. “Sinto-me muito honrado por pertencer a este momento da história do nosso cinema em que nos projetamos internacionalmente, mas nutrimos a autoestima dentro de nossa própria casa.”

Leia abaixo para mais informações sobre os filmes apoiados pelo RioFilme no Festival de Cinema de Xangai deste ano:

“O Deserto de Luiza”, dir. Alan Minas

Coprodução entre Brasil (Caraminhola Films) e Reino Unido (Union Content), o filme de Alan Minas acompanha o jovem titular de 15 anos. Morando no Rio de Janeiro, Luiza sonha em ser artista, eventualmente fazendo amizade com um grupo local de graffiti. No início de sua vida, sua mãe sofre um episódio agudo de esquizofrenia. Com o pai cada vez mais distante e a irmã mais nova indo morar com a tia, a responsabilidade de manter a família unida recai pesadamente sobre os ombros de Luiza. A Begin Again Films cuida das vendas.

“A Fabulosa Máquina do Tempo”, dir. Eliza Capai

O documentário de Capai acompanha um grupo de meninas que vivem na árida cidade brasileira de Guaribas, anteriormente conhecida como “capital da fome no Brasil”, mas que mudou sismicamente graças às políticas públicas estabelecidas pelo presidente Lula. O tenro filme de Capai acompanha uma geração de meninas que puderam sonhar e pensar em um futuro além das limitações que suas mães vivenciaram. SplitScreen cuida das vendas. Produzido por Amana Cine.

“Coração das Trevas”, dir. Rogério Nunes

Adaptado do clássico romance homônimo de Joseph Conrad de 1899, o thriller acelerado de Nunes se passa em um futuro próximo, no Rio de Janeiro, devastado pela guerra civil e pela agitação social. Lá, Marlon deve cruzar as águas poluídas da purulenta Baía de Guanabara em busca de um ex-comandante que se tornou líder de um culto messiânico para impedir a propagação de seu grupo paramilitar. Inspirado na mitologia e na religião umbandista e repleto de ricas referências culturais, “Coração das Trevas” é uma marcante oferta do gênero brasileiro. Produzido por Special Touch Studios e Karmatique Imagens

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