Espera-se que cerca de 20.000 convidados de mais de 130 países participem no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), de três dias, um encontro anual frequentemente descrito como o “Davos Russo”.
O evento deste ano começa na quarta-feira, tendo como pano de fundo a guerra na Ucrânia e o estabelecimento prolongado da Rússia em grande parte do Ocidente. Horas antes da chegada dos delegados à cidade, drones ucranianos atingiram instalações de energia em São Petersburgo e arredores, segundo autoridades russas e ucranianas. Os ataques, que ocorreram a cerca de 16 quilómetros do local do fórum, interromperam temporariamente as operações no aeroporto da cidade, embora a conferência esteja a decorrer conforme planeado.
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O SPIEF tornou-se muito mais do que uma conferência económica para Moscovo. À medida que os governos ocidentais e muitas empresas multinacionais se distanciaram da Rússia desde a invasão da Ucrânia em 2022, o fórum surgiu como uma vitrine para os esforços do Kremlin para aprofundar os laços com os países do Sul Global.
A participação manteve-se forte apesar do isolamento diplomático da Rússia na Europa e na América do Norte, com as autoridades retratando a reunião como prova de que Moscovo mantém parceiros internacionais para além do Ocidente. Aqui está uma visão mais detalhada do evento.
O que é o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo?
O primeiro SPIEF foi realizado em Junho de 1997, durante um período em que a Rússia pós-soviética procurava investimento estrangeiro e uma integração mais estreita com a economia global. O fórum anual foi concebido para atrair investidores e projectar a imagem de um país aberto aos negócios após o colapso da União Soviética.
Ao longo de quase três décadas, evoluiu para um dos eventos internacionais mais proeminentes da Rússia. Investimento Embora os negócios continuem a ser temas centrais, o fórum tornou-se cada vez mais uma plataforma para Moscovo apresentar a sua visão da ordem global e cultivar laços políticos no estrangeiro.
O programa combina discussões sobre investimentos e debates políticos. As sessões deste ano vão desde mercados de energia e inteligência artificial até guerra de informação e influência mediática. Um painel, com a participação da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, é intitulado: “Suas palavras são como balas: como a informação se transformou na arma mais poderosa da era moderna”.
Quem está participando?
Um desenvolvimento notável este ano é a presença de uma delegação oficial dos EUA, a primeira participação deste tipo num importante fórum de investimento russo desde antes da guerra na Ucrânia. O presidente Donald Trump nomeou Rodney Mims Cook Jr, presidente da Comissão de Belas Artes dos EUA, como seu representante no evento.
Espera-se que Cook participe de uma sessão intitulada “Rússia-EUA: Um Diálogo Cultural”. A Câmara Americana de Comércio na Rússia e a Fundação Roscongress também estão a organizar um fórum empresarial centrado na potencial cooperação entre empresas russas e norte-americanas.
Outros que deverão comparecer incluem o presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, a presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, e o vice-presidente da China, Han Zheng, disse o assessor de política externa do Kremlin, Yury Ushakov, à mídia na terça-feira. Espera-se que Han se encontre separadamente com Putin em 6 de junho.
O país convidado do SPIEF este ano é a Arábia Saudita, que está enviando o ministro da Energia, o príncipe Abdulaziz bin Salman Al Saud, disse Ushakov.
O evento também atrai uma mistura de ex-líderes mundiais e personalidades controversas da mídia, com participantes incluindo o ex-chanceler alemão Gerhard Schroder, o ator e apoiador de longa data de Putin, Steven Seagal, a comentarista conservadora dos EUA Candace Owens e personalidades de extrema direita da mídia social Andrew e Tristan Tate, ambos alvo de processos por tráfico, estupro e crime organizado na Romênia, bem como uma série de acusações no Reino Unido.
Espera-se que o bilionário varejista alemão Thomas Bruch, proprietário da Hyperglobus, participe das discussões sobre o investimento alemão na Rússia. Os organizadores do fórum afirmam que cerca de 1.800 empresas alemãs continuam a operar no país, apesar da deterioração nas relações entre Moscovo e Berlim.
O Kremlin também convidou líderes e ministros de países com os quais mantém laços estreitos, incluindo os presidentes do Uzbequistão e da Tanzânia, juntamente com funcionários da Bielorrússia, Cuba e Arábia Saudita.
Por que o fórum é importante?
O SPIEF é um dos eventos mais monitorizados de perto no calendário político da Rússia, com o Presidente Vladimir Putin quase sempre a participar e a proferir o discurso principal do fórum, muitas vezes aproveitando a oportunidade para delinear as prioridades económicas da Rússia, mas também a sua posição sobre os desenvolvimentos regionais, oferecendo um vislumbre das suas ambições de política externa.
A sessão normalmente inclui um segmento extenso de perguntas e respostas, que costuma ganhar as manchetes. Em 2022, meses depois de lançar a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, Putin usou o SPIEF para denunciar as sanções ocidentais e argumentar que os esforços para isolar a Rússia tinham falhado.
Para além das manchetes, o fórum serve também um propósito económico mais amplo para Moscovo. As sanções ocidentais e a perda de muitos mercados europeus forçaram a Rússia a redireccionar o comércio e o investimento para novos parceiros na Ásia, África e América do Sul.
Ao atrair autoridades, executivos e investidores estrangeiros para a Rússia, Moscovo também procura demonstrar que continua integrado em partes da economia global e não está totalmente dependente da aprovação política do Ocidente.