Quando “O Artista”, de Michel Hazanavicius, estreou em Cannes há 15 anos, rapidamente se tornou um queridinho da crítica, conquistando todos os prêmios importantes e se tornando o primeiro filme mudo a ganhar o Oscar de melhor filme desde 1929. Seu charme reside na química entre George Valentin (Jean Dujardin) e Peppy Miller (Bérénice Bejo), duas estrelas de cinema que refletem a mudança de Hollywood para o som: George encarna o passado, Peppy o futuro. Quando a dupla se reúne para o sapateado culminante do filme, o diretor de fotografia francês Guillaume Schiffman “tinha ideias sobre como eu queria que fosse, mas na verdade não sabia como fazê-lo”, lembra ele, comparando os personagens a Gene Kelly e Debbie Reynolds em “Singin’ in the Rain”. Trabalhando com o gaffer Jim Plannette, Schiffman fez referência a filmes clássicos enquanto adicionava sua própria interpretação, capturando a sequência em filme colorido de 35 mm e convertendo-a para preto e branco. “Michel sempre disse que o mais importante era a emoção que você sente no enquadramento e na iluminação. Sou muito instintivo, mas tivemos que ter cuidado com a profundidade de campo e tudo mais para que parecesse um filme antigo.” Olhando para trás, o indicado ao Oscar chama “O Artista” de um destaque na carreira. “Cresci amando musicais. E foi um sonho que se tornou realidade, especialmente em Los Angeles, fazer um filme como meu pai americano me mostrou quando era jovem. É minha lembrança.”



