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Pelo menos oito mortos em operação letal da polícia brasileira em favelas

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Pelo menos oito mortos em operação letal da polícia brasileira em favelas

A polícia brasileira afirma que a operação no Rio de Janeiro teve como alvo um líder do Comando Vermelho, um poderoso grupo criminoso.

Publicado em 19 de março de 2026

Pelo menos oito pessoas foram mortas durante uma operação policial em um bairro no centro do Rio de Janeiro, dando continuidade a uma tendência de operações mortais em comunidades pobres de favelas.

As autoridades policiais brasileiras disseram que a operação de quarta-feira matou Claudio Augusto dos Santos, comandante do poderoso grupo criminoso Comando Vermelho.

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O delegado da Polícia Militar, Marcelo Menezes Nogueira, disse que a operação resultou em um “grande confronto armado”. Dos Santos e seis outros supostos criminosos foram mortos, e um residente local teria sido pego no fogo cruzado após ser feito refém.

Testemunhas locais descreveram indivíduos afiliados ao Comando Vermelho retaliando contra o ataque, bloqueando estradas e incendiando um ônibus.

“Eles embarcaram, me mandaram descer os passageiros e incendiaram o ônibus. Tudo aconteceu muito rápido”, disse o motorista do ônibus Marcio Souza à agência de notícias AFP.

A polícia disse que cinco pessoas foram presas por supostos atos de vandalismo. Cerca de 150 policiais militares participaram da operação em áreas como Prazeres, Fallet, Fogueteiro, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos.

Dos Santos estava ligado ao tráfico de drogas na favela dos Prazeres e havia 10 mandados de prisão contra ele, segundo relatos da mídia. A polícia acusou Dos Santos de envolvimento no assassinato de um turista italiano, Roberto Bardella.

A operação de quarta-feira ocorre vários meses depois de uma operação policial em outubro ter matado mais de 130 pessoas na favela carioca do Complexo da Penha, levantando questões sobre os métodos das forças de segurança do Estado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o ataque como um massacre.

Alguns políticos da esquerda brasileira criticaram a operação de quarta-feira como uma continuação da tendência de confrontos imprudentes entre a polícia e o crime organizado.

“Mais um dia de pânico e medo no Rio de Janeiro”, escreveu Renata da Silva Souza, deputada estadual pelo Rio de Janeiro, online.

“É uma prova da falta de preparo da polícia — ter realizado uma operação no Morro dos Prazeres sem planejar a reação inevitável. O resultado era totalmente previsível: a população local pega no fogo cruzado, ruas bloqueadas e um ônibus incendiado.”

Souza acrescentou que apresentou queixa formal ao Ministério Público para pedir responsabilização pela perturbação da vida civil e pelo elevado número de mortos.

Enquanto isso, os políticos da direita brasileira pediram maior uso da força contra os criminosos no país.

“O que é verdadeiramente ultrajante é o que esses criminosos infligem àqueles que não têm absolutamente nada a ver com suas atividades”, postou o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, nas redes sociais.

“É precisamente por causa de tais actos bárbaros que o Estado não se pode dar ao luxo de dar um único passo atrás. Estamos firmemente ao lado da polícia e dos cidadãos cumpridores da lei.”

Relatos da mídia indicaram que o governo brasileiro está atualmente tentando dissuadir o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de rotular grupos como o Comando Vermelho como “organizações terroristas estrangeiras”, uma designação anteriormente usada para identificar grupos que ameaçam a segurança nacional dos EUA.

Mas, cada vez mais, a administração Trump tem aplicado este rótulo a redes criminosas e cartéis de droga em toda a América Latina, colocando-os na mesma categoria de organizações como a Al-Qaeda.

Os críticos alertam que o rótulo de “organização terrorista estrangeira” tem sido utilizado para promover ações militarizadas contra grupos criminosos em toda a América Latina.

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