Um processo histórico
O caso de Trump diz respeito a acontecimentos que começaram em 2017, quando Littlejohn foi recontratado como empreiteiro governamental para a empresa de consultoria Booz Allen.
Na altura, Trump estava nas manchetes pela sua recusa em divulgar as suas declarações fiscais ao público, como tinha sido o costume dos novos presidentes e como ele próprio tinha prometido fazer.
As declarações fiscais são protegidas por leis de privacidade rigorosas, mas desde a década de 1970, todos os presidentes, exceto Trump, tornaram as suas declarações públicas como um gesto de transparência.
Em meio à polêmica, enquanto trabalhava em um contrato do IRS, Littlejoin apresentou os arquivos fiscais de Trump. Ele então compartilhou os documentos com os principais meios de comunicação.
Em 2020, o The New York Times publicou uma série de artigos que detalhavam como o famoso e rico Trump pagou pouco ou nenhum imposto de renda federal nos 15 anos anteriores.
Depois, em 2021, a ProPublica baseou-se nas fugas de informação de Littlejohn para delinear as discrepâncias entre a forma como as empresas de Trump reportavam os seus activos às autoridades fiscais e os credores.
Os vazamentos, de acordo com o processo de Trump, tiveram motivação política e “causaram danos significativos e irreparáveis” ao presidente, aos seus filhos e aos seus interesses comerciais.
Embora Littlejohn não fosse funcionário do governo, a queixa de Trump argumenta que o IRS foi responsável pelas suas ações.
Trump não é o primeiro presidente dos EUA a processar o governo federal. Mas os esforços anteriores surgiram depois de os presidentes em questão terem deixado a Casa Branca.
Em 1974, por exemplo, o antigo presidente Richard Nixon, atormentado por escândalos, apresentou uma acção judicial num esforço para manter o controlo dos seus documentos presidenciais, qualificando a sua publicação antecipada como uma violação de privacidade.
Mas, ao contrário de Trump, os especialistas observam que Nixon já não estava no cargo na altura e não procurava compensação financeira.
O próprio Trump já apresentou queixas legais contra o que considera investigações governamentais injustas. Mas essas reivindicações foram apresentadas quando Trump era cidadão privado, em 2023 e 2024, entre o seu primeiro e o segundo mandato.
Agora que está de volta ao cargo, porém, Trump tem o poder de resolver essas reclamações a seu favor, bem como o caso do IRS.
Relatórios indicam que ele está buscando US$ 230 milhões em indenização do Departamento de Justiça (DOJ), que está sob sua autoridade, assim como o IRS.



