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Rostos inesquecíveis de ‘O Agente Secreto’ refletem o ‘panorama’ do Brasil

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Rostos inesquecíveis de ‘O Agente Secreto’ refletem o ‘panorama’ do Brasil

Para o diretor de elenco Gabriel Domingues, montar o elenco de “O Agente Secreto” significou materializar personagens inspirados nas lembranças do diretor Kleber Mendonça Filho.

“Não é que ele estivesse nos mostrando uma foto e dizendo: ‘Eles devem ser assim.’ Eram ideias de memórias que poderiam mudar”, diz Domingues sobre o thriller de época brasileiro sobre um pai fugitivo durante entrevista na redação do The Times. Um dos indicados ao primeiro Oscar de elenco deste ano, Domingues aprecia o quão politicamente carregados são os filmes de Mendonça Filho. Suas narrativas costumam ser terreno fértil para uma mistura eclética de performers.

E não há papéis descartáveis ​​em “O Agente Secreto”: “Mesmo os pequenos personagens representam ideias sobre a vida brasileira e suas contradições”, acrescenta Domingues.

Para homenagear seu grande elenco, um “panorama” da população de seu país, Mendonça Filho inclui uma montagem ao final do filme em que cada ator é reconhecido individualmente. O diretor pensa nisso como o equivalente cinematográfico da chamada ao palco ou da reverência final no final de uma produção teatral.

“Gabriel tenta encontrar uma mistura interessante de atores experientes e pessoas que possamos descobrir”, diz a produtora Emilie Lesclaux sobre Domingues, com quem trabalhou em vários projetos. Colaborou inicialmente com Mendonça Filho e Lesclaux em “Aquarius” como assistente de elenco.

Domingues acredita que trabalhar em “Aquarius” foi fundamental para desenvolver seu método de casting, que envolve a busca pela opção menos óbvia para escalar o personagem. Ele se orgulha de fazer o trabalho duro de procurar rostos novos e atraentes em cidades onde outras pessoas talvez não pensem em olhar – aquelas sem uma cena artística proeminente, por exemplo.

Gabriel Leone as Bobbi/Abdias (Victor joga)

Hermila Guedes como Cláudia (Victor joga)

Luciano Chirolli como Henrique Ghirotti (Victor joga)

Roberio Diogenes as Euclides Cavalcanti (Victor joga)

Tânia Maria as Dona Sebastiana (Victor joga)

Joalisson Cunha as Frentista (Victor joga)

Isabel Zuaa e Teresa Victoria (Victor joga)

Kaiony Venancio as Vilmar (Victor joga)

Isso não quer dizer que todo o elenco foi descoberto. Mendonça Filho tinha em mente Wagner Moura desde o início, enquanto outros surgiram em sua mente enquanto ele escrevia o roteiro: Maria Fernanda Cândido, famoso ator de novela, como aliada crucial do personagem de Moura; e o falecido Udo Kier, que já havia aparecido no sangrento filme do diretor “Bacurau”, como um imigrante judeu alemão que viveu durante a Segunda Guerra Mundial.

O cineasta admite que imaginar peças com uma pessoa específica em mente é “perigoso”. “Posso escrever um personagem pensando em você, mas nunca sei se você vai querer fazer o filme”, diz Mendonça Filho. “E eu me apego à imagem.”

Entre os outros papéis coadjuvantes, o mais desafiador de escalar, concorda a equipe, foi o de Euclides, o desprezível chefe de polícia. Embora o personagem seja “repulsivo”, também exigia um toque de carisma para torná-lo mais emocionalmente. Eventualmente, eles encontraram o ator Robério Diógenes. “Robério estudou a arte do palhaço no teatro e é um cara muito engraçado, então acrescenta um componente de ridículo a esse personagem”, diz Domingues.

Para Vilmar, um homem empobrecido contratado como subcontratado para um assassinato, Mendonça Filho tinha em mente um assassino contratado da vida real que ele tinha visto em um programa de TV dos anos 1970. O ator teve que transmitir uma certa ambigüidade que nem sempre é permitida às pessoas de uma classe social mais baixa. Não há dúvida de que Vilmar está agindo por necessidade, mas ele não está totalmente desprovido de arbítrio, pois negocia seu pagamento. Domingues encontrou em Kaiony Venâncio a personificação ideal desse personagem complexo, ator natural de Natal que atuou principalmente em curtas-metragens.

Depois, há Tânia Maria, que rouba a cena e interpreta a cativante e fumante inveterada Dona Sebastiana. O talento de 79 anos apareceu pela primeira vez em “Bacurau” como figurante. “Não pude deixar de pensar nela”, diz Mendonça Filho sobre a escalação dela para seu último filme. “Eu até improvisei muitas de suas falas sabendo o que ela poderia dizer.”

Antes de chegar às telas, Tânia Maria ganha a vida há muito tempo como artesã, fazendo tapetes à mão. “Nunca pensei em ser atriz, só pensei em costurar”, diz ela com um sorriso carinhoso. “Tudo isso foi uma surpresa.”

Igor de Araujo as Sergio (Victor joga)

Joao Vitor Silva as Haroldo (Victor joga)

Robson Andrade como Clóvis (Victor joga)

Maria Fernanda Candido as Elza/Sara Gerber (Victor joga)

Alice Carvalho as Fatima (Victor joga)

Tomás Aquino como Valdemar (Victor joga)

Licínio Januário como Antônio (Victor joga)

Udo Kier como Hans (Victor joga)

E embora ela ainda esteja costurando, suas perspectivas de atuação parecem boas. Ela já apareceu em outro filme, “Yellow Cake”, com estreia no Festival Internacional de Cinema de Berlim este mês. O fato de Tânia Maria também ter estrelado recentemente comerciais humorísticos locais para Burger King e Heineken é uma prova de seu status atual na cultura pop brasileira – assim como as fantasias de Dona Sebastiana que se tornaram populares no Carnaval deste ano.

“Não posso sair na rua sem que as pessoas me parem. Me pedem autógrafos, fotos, querem falar comigo, me fazem perguntas”, diz ela em português por meio de um intérprete durante uma videochamada de sua casa. “Reservo tempo para todos e estou aproveitando tudo isso.”

Sem se intimidar com o que ela chama de o aspecto mais desafiador da atuação – memorizar as falas – Tânia Maria está ansiosa para continuar explorando esta nova faceta inesperada. “Não quero parar porque não sou velha! Estou esperando mais convites para seguir em frente na atuação”, diz ela.

O sucesso que muitos atores obtiveram graças a “O Agente Secreto” agrada muito aos cineastas, mas também tem uma grande desvantagem.

“Isso é tudo o que queremos para as pessoas com quem trabalhamos, que o filme seja bom para elas e para suas carreiras”, diz Lesclaux. “Mas para nós, isso também torna as coisas mais complicadas para o próximo filme, porque vamos querer trabalhar com eles e eles podem não estar disponíveis.”

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