BAKU (Reuters) – Ruben Vardanyan, um banqueiro bilionário nascido na Armênia que atuou como alto funcionário na administração separatista armênia de Nagorno-Karabakh, foi condenado a 20 anos de prisão por um tribunal do Azerbaijão na terça-feira, informou a mídia estatal.
Vardanyan, que foi o segundo oficial de Karabakh em 2022 e 2023, foi julgado em um tribunal militar por acusações que incluíam terrorismo, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
A agência de notícias estatal do Azerbaijão, Azertac, não disse se Vardanyan pretendia apelar. A Reuters não conseguiu entrar em contato imediatamente com seu advogado baseado em Baku, Emil Babishov.
Os promotores buscaram a sentença de prisão perpétua para o homem de 57 anos, cujo advogado internacional descreveu o julgamento como nem livre nem justo. Sua família já o citou dizendo que não reconhece o processo e não se arrepende de nada.
O veredicto surge no momento em que a Arménia e o Azerbaijão dão passos em direção à paz, após quase quarenta anos de conflito travado principalmente em Nagorno-Karabakh, uma região montanhosa no Azerbaijão que gozou de independência de facto durante três décadas, até Baku recuperar o controlo total em 2023.
Vardanyan, um ex-banqueiro que anteriormente possuía cidadania russa e fez fortuna na Rússia, mudou-se para Karabakh em 2022 e ingressou na administração armênia como ministro de Estado. A Forbes estima a riqueza combinada dele e de sua família em US$ 1,2 bilhão.
Baku classifica ele e outros ex-oficiais separatistas como “líderes de uma entidade armada ilegal que tentou impedir o Azerbaijão de recuperar o território”.
Vardanyan foi preso em setembro de 2023 enquanto tentava cruzar a fronteira para a Armênia em meio a um êxodo em massa dos cerca de 100 mil armênios étnicos da região, depois que o Azerbaijão retomou o território naquele mês.
(Reportagem de Nailia Bagirova e Lucy Papachristou. Escrito por Lucy Papachristou. Edição de Guy Faulconbridge e Mark Potter)


