NAÇÕES UNIDAS (AP) – O presidente, o ministro do Interior e o ministro das Relações Exteriores da Síria foram alvo de cinco tentativas frustradas de assassinato no ano passado, disse o chefe da ONU em um relatório sobre as ameaças representadas por militantes do Estado Islâmico divulgado na quarta-feira.
O relatório afirma que o presidente Ahmad al-Sharaa foi alvo de ataques no norte de Aleppo, a província mais populosa do país, e no sul de Daraa, por um grupo chamado Saraya Ansar al-Sunnah, considerado uma fachada para o grupo Estado Islâmico.
O relatório, emitido pelo secretário-geral António Guterres e preparado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Luta contra o Terrorismo, não forneceu datas ou detalhes das tentativas contra al-Sharaa ou o ministro do Interior sírio, Anas Hasan Khattab, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Asaad al-Shibani.
As tentativas de assassinato são mais uma prova de que o grupo militante continua determinado a minar o novo governo sírio e a “explorar activamente os vazios de segurança e a incerteza” na Síria, afirma o relatório.
Afirmou que o grupo de frente proporcionou ao EI uma negação plausível e “maior capacidade operacional”.
Al-Sharaa lidera a Síria desde que as suas forças rebeldes depuseram o antigo presidente sírio, Bashar Assad, em dezembro de 2024, encerrando uma guerra civil de 14 anos.
Al-Sharaa foi anteriormente o líder do Hayar Tahrir al-Sham, um grupo militante que já foi afiliado à Al Qaeda, embora mais tarde tenha cortado relações.
Em Novembro, o seu governo juntou-se à coligação internacional formada para combater o grupo Estado Islâmico, que outrora controlava grande parte da Síria.
Os especialistas em contraterrorismo da ONU disseram que o grupo militante ainda opera em todo o país, atacando principalmente as forças de segurança, particularmente no norte e nordeste.
Num ataque de emboscada em 13 de Dezembro às forças dos EUA e da Síria perto de Palmyra, dois militares dos EUA e um civil americano foram mortos e três americanos e três membros das forças de segurança da Síria ficaram feridos. O presidente Donald Trump retaliou, lançando operações militares para eliminar os combatentes do EI.
De acordo com os especialistas em contraterrorismo da ONU, o grupo Estado Islâmico mantém cerca de 3.000 combatentes no Iraque e na Síria, a maioria deles baseados na Síria.
Os militares dos EUA começaram no final de Janeiro a transferir detidos do EI que estavam detidos no nordeste da Síria para o Iraque, para garantir que permanecem em instalações seguras. O Iraque disse que irá processar os militantes.
As forças do governo sírio assumiram o controle de um amplo campo que abriga milhares de detidos do EI após a retirada das Forças Democráticas Sírias apoiadas pelos EUA, como parte de um cessar-fogo com os combatentes curdos.
O relatório divulgado quarta-feira ao Conselho de Segurança da ONU afirma que até dezembro, antes do acordo de cessar-fogo, mais de 25.740 pessoas permaneciam nos campos de al-Hol e Roj, no nordeste, mais de 60% delas crianças, com milhares de outras em outros centros de detenção.



