27 Jan (Reuters) – Um tribunal da Nicarágua declarou Bayardo Arce, aliado de longa data e conselheiro econômico do presidente Daniel Ortega, culpado de lavagem de dinheiro, informou a Procuradoria-Geral da Nicarágua em comunicado nesta terça-feira.
Arce, que também foi um dos nove comandantes sandinistas que governaram a nação centro-americana na década de 1980, foi considerado culpado ao lado de seu assistente pessoal, Ricardo Bonilla. A esposa de Arce e seu irmão, ambos no exílio, foram apontados como co-conspiradores no esquema.
Arce está preso há seis meses, depois de ter sido detido em julho. A decisão contra ele surge três dias depois de a sua família exilada ter dito ao jornal El Pais que ele tinha sido preso sem mandado, mantido incomunicável e submetido a maus-tratos, e agora teme pela sua vida devido à sua idade e graves problemas de saúde.
Segundo a família, Arce não foi formalmente acusado nem levado perante um juiz. O governo da Nicarágua não disse quando ou se Arce foi julgado e na terça-feira não forneceu uma sentença.
Os juízes disseram que os réus administravam um antigo esquema de lavagem de dinheiro de US$ 2,71 bilhões que envolvia fraude fiscal e usava empresas de fachada, contas bancárias e transações financeiras para ocultar a origem e o destino dos fundos.
Arce foi o último dos comandantes sandinistas a apoiar Ortega, que tem reprimido cada vez mais os dissidentes e isolado o país da diplomacia global.
Parentes disseram ao El Pais que Arce é um preso político preso em um expurgo interno liderado pela esposa de Ortega, Rosario Murillo, contra figuras vistas como obstáculos a uma sucessão familiar de poder. Murillo agora ocupa o cargo de copresidente ao lado de Ortega.
Murillo, que também atua como porta-voz do governo, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
(Reportagem de Gabriela Selser; escrita de Brendan O’Boyle; edição de Kylie Madry e Alistair Bell)



