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Ucrânia, Rússia e EUA reúnem-se para negociações de paz em Abu Dhabi

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Ucrânia, Rússia e EUA reúnem-se para negociações de paz em Abu Dhabi

As delegações da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos reúnem-se pela primeira vez num novo formato trilateral para discutir as possibilidades de paz, esperando-se que as discussões se concentrem no futuro da região de Donbass.

Negociações de paz de última hora estão ocorrendo na capital dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Abu Dhabi, na sexta-feira e no sábado, com delegações voando diretamente para a cúpula de outras reuniões ontem em Davos e Moscou, para tentar definir as condições para a paz na Guerra da Ucrânia. Dois conjuntos de conversações estão planejados em Abu Dhabi, com um formato de grupo de trabalho bilateral entre a Rússia e os Estados Unidos, e um novo grupo de trabalho trilateral entre a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos se reunindo pela primeira vez.

Já estão em curso reuniões naquela que se pensa ser a primeira conferência presencial entre as três nações da guerra que já dura quase quatro anos. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse durante a noite que o foco das discussões será o Donbass, uma região rica em carvão que abrange as províncias de Luhansk e Donetsk. A Rússia ocupa a grande maioria do Donbass e detém algumas áreas – como em torno da cidade de Donetsk – há quase 12 anos, e exige que a Ucrânia retire totalmente as suas forças armadas do Donbass para acabar com a guerra.

O Presidente Zelensky disse que a mídia estatal ucraniana afirma: “A questão do Donbass é fundamental. Será discutida, bem como a modalidade de como os três lados a veem em Abu Dhabi hoje e amanhã… Falei com a equipe, com o chefe da equipe, Umerov, de manhã e à noite. Ele trabalhará e em todas as fases de certas negociações ou acordos me dará os sinais apropriados”.

Nem o Presidente Zelensky nem o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, estarão pessoalmente presentes em Abu Dhabi, e ambos os líderes enviaram grandes delegações para os representar. A Ucrânia é liderada por Rustem Umerov, aliado próximo de Zelensky, chefe do conselho de Segurança Nacional de Kiev, ex-ministro da Defesa e empresário de telecomunicações. A Rússia disse ter enviado uma delegação “totalmente militar” liderada pelo chefe da espionagem, almirante Igor Kostyukov.

Os Estados Unidos, entretanto, enviaram Steve Witkoff e Jared Kushner directamente de Moscovo, onde se reuniram ontem com o presidente da Rússia, Putin, no que o Kremlin descreveu como uma reunião de quatro horas. O antigo embaixador russo nos Estados Unidos, Yuri Ushakov, que esteve presente nas conversações em Moscovo, teria dito sobre a reunião: “Eu a descreveria como totalmente franca e baseada na confiança… A reunião que acaba de ser concluída no Kremlin foi útil em todos os aspectos, tanto para nós como para os Estados Unidos. Os participantes da reunião concordaram que a Rússia e os EUA manteriam contactos estreitos sobre a Ucrânia e outras questões”.

Mas sublinhando a importância de a Rússia obter o controlo total das regiões orientais da Ucrânia, como o Donbass, Ushakov acrescentou sobre as expectativas para as conversações de hoje: “não se deve esperar que uma solução a longo prazo seja alcançada a menos que a questão territorial seja resolvida”.

O Breitbart News noticiou em 2025, quando a Rússia articulou sua demanda no Donbass durante a reunião Putin-Trump no Alasca. Na altura, Putin teria avisado que pretendia tomar militarmente toda a região de qualquer maneira, embora seis meses depois algumas partes ainda permaneçam desocupadas. Na altura, o Presidente Zelensky prometeu nunca entregar território e denunciou as negociações como tendo ocorrido sem a sua presença na sala.

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