As moções de censura visavam protestar contra o acordo comercial da União Europeia com o bloco MERCOSUL.
Por Agências de notícias e Reuters
Publicado em 14 de janeiro de 2026
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O primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, sobreviveu a dois votos de desconfiança no parlamento, abrindo caminho para o governo se concentrar em mais um confronto orçamental nos próximos dias.
As moções de censura, apresentadas pela extrema-direita National Rally (RN) e pela extrema-esquerda France Unbowed (LFI), visavam protestar contra o acordo comercial da União Europeia com o bloco sul-americano Mercado Comun del Sur (Mercado Comum do Sul, ou MERCOSUL).
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Apesar da oposição francesa, os estados membros da União Europeia aprovaram na semana passada a assinatura do acordo há muito debatido com Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Os partidos políticos franceses RN e LFI acusaram o governo de não fazer o suficiente para bloqueá-lo.
“Dentro do país, vocês são um governo de vassalos que servem os ricos. Lá fora, vocês estão humilhando a nossa nação perante a Comissão Europeia e o império dos EUA”, disse a deputada-chefe da LFI, Mathilde Panot, ao governo, falando no parlamento antes da votação da moção de censura de quarta-feira.
Lecornu disse que o tempo gasto nos votos de desconfiança estava atrasando ainda mais os debates tensos sobre o orçamento do país para 2026, nos quais ele disse que os líderes políticos deveriam se concentrar.
“Vocês estão agindo como franco-atiradores à espreita, atirando nas costas do executivo no exato momento em que devemos enfrentar as perturbações internacionais”, disse ele.
Mas na quarta-feira, ambas as moções falharam. A proposta apresentada pela LFI recebeu apenas 256 votos a favor, 32 votos a menos do que era necessário para a aprovação da moção. A segunda moção, apresentada pela extrema direita, recebeu 142 votos a favor e também foi reprovada.
O Partido Socialista descartou apoiar as moções de censura e os republicanos conservadores também disseram que não votariam para censurar o governo sobre o MERCOSUL.
Uma fonte do governo francês disse à agência de notícias Reuters que o próximo passo seriam negociações orçamentais difíceis, onde Lecornu tem a opção de invocar o artigo 49.3 da Constituição, permitindo-lhe aprovar a lei financeira sem votação, depois de negociar um texto com todos os grupos, exceto o RN e a LFI.
Embora esta opção também possa levar a mais moções de desconfiança, os legisladores estão ansiosos por pôr fim a semanas de disputas sobre o orçamento, mesmo que isso signifique que o défice do país permaneça próximo dos 5 por cento, acrescentaram fontes.
A porta-voz do governo Maud Bregeon disse na terça-feira que “nada está excluído” para aprovar o orçamento.
A França, a segunda maior economia da zona euro, tem estado sob pressão para reduzir o seu grande défice orçamental. Mas a instabilidade política abrandou esses esforços desde que as eleições antecipadas de Macron em 2024 resultaram num Parlamento suspenso.
As disputas orçamentais já derrubaram três governos desde as eleições de 2024, incluindo o do antigo primeiro-ministro Michel Barnier, que perdeu um voto de desconfiança sobre o seu próprio projecto de lei orçamental.



