Quando Pramila Kavar segurou seu filho Neeraj pela primeira vez nos braços, tudo parecia perfeito. Ele era um bebê saudável, alimentando-se bem e crescendo normalmente na pequena aldeia de Chinchore, no distrito de Nashik, em Maharashtra.
Como qualquer jovem mãe, Pramila sonhava em ver o seu filho ficar mais forte a cada mês que passava.
Mas quando Neeraj tinha cerca de nove meses, esses sonhos começaram a desaparecer.
Cada vez que Pramila tentava introduzir alimentos sólidos, um pouco de khichdi, um pedaço macio destinado a marcar um novo estágio de crescimento, Neeraj vomitava violentamente.
O que começou como um episódio ocasional logo se transformou em uma rotina assustadora. A hora da alimentação tornou-se um momento de ansiedade, seguido de lágrimas e desamparo.
Nos meses seguintes, a condição de Neeraj piorou. Ele começou a perder peso em vez de ganhá-lo. Seu minúsculo corpo enfraqueceu e repetidas infecções no peito assumiram o controle.
Três crises de pneumonia deixaram a família apavorada. Aos 14 meses de idade, Neeraj pesava apenas 5,9 kg, estava gravemente abaixo do peso, desnutrido e lutando para sobreviver.
As clínicas locais não ofereceram respostas – algumas suspeitavam de refluxo, outras de um problema cardíaco. Os tratamentos mudaram, mas Neeraj não apresentou melhora. Cada pergunta sem resposta aprofundava o desespero da família.
Finalmente, agarrando-se à esperança, Pramila e sua família viajaram de Nashik para Mumbai para consultar o Dr. Vibhor Borkar no Hospital Gleneagles, em Parel.
Foi aí, após testes detalhados, incluindo tomografia computadorizada e endoscopia, que a verdade surgiu.
Neeraj sofria de Acalasia Cardia, uma doença extremamente rara em bebês, que afetava cerca de uma em cada cinco lakh crianças.
Seu tubo de alimentação estava perigosamente dilatado e a válvula que o conectava ao estômago estava bem fechada, recusando-se a abrir. A comida não tinha para onde ir. Ele se acumulou em seu tubo de alimentação, voltou e muitas vezes entrou em seus pulmões, causando pneumonia repetida.
Pela primeira vez em meses, a família teve um diagnóstico. E com isso, uma chance de recuperação.
Mas tratar Neeraj estava longe de ser simples. Opções tradicionais como dilatação com balão ou cirurgia eram muito arriscadas para uma criança tão pequena e frágil. Foi então que os médicos tomaram a ousada decisão de realizar a miotomia endoscópica oral (POEM), um procedimento de última geração e minimamente invasivo, geralmente realizado em adultos.
Com apenas 14 meses de idade, Neeraj se tornaria a criança mais nova da Índia a se submeter ao POEM.
O procedimento exigia uma precisão extraordinária. Os instrumentos adultos eram inadequados para sua minúscula anatomia.
A equipe médica, liderada pelo Dr. Borkar e pelo gastroenterologista sênior Dr. Shankar Zanwar, modificou sua abordagem, usando um broncoscópio normalmente destinado a procedimentos pulmonares.
Trabalhando delicadamente dentro das camadas do tubo alimentar de Neeraj, eles cortaram cuidadosamente o músculo anormalmente tenso que havia prendido sua comida durante meses.
Não houve cortes externos. Sem cicatrizes. Mas os riscos eram imensos.
Do ponto de vista da anestesia, o desafio era igualmente assustador.
“Em bebês tão pequenos, até mesmo passar um endoscópio pode afetar a respiração”, disse o Dr. Rajan Daftari, anestesista consultor. “As doses dos medicamentos tinham que ser exatas. Não havia margem para erros.”
Após o procedimento, Neeraj foi mantido sob observação atenta. Ele não teve permissão para comer inicialmente e os médicos o apoiaram com alimentação por sonda para recuperar suas forças. Lentamente, com cuidado, seu corpo começou a responder.
Então chegou o momento que seus pais esperavam; Neeraj começou a engolir novamente. Sem vômito. Sem asfixia. Sem dor.
Hoje, Neeraj está se alimentando bem, ganhando força e finalmente fazendo o que os bebês de sua idade devem fazer: crescer.
Para Pramila, a transformação parece nada menos que milagrosa. “Durante meses, vimos nosso filho sofrer e não sabíamos por quê”, disse ela, com a voz carregada de emoção. “Agora, vê-lo comer e lentamente ficar mais forte parece uma segunda vida para ele.”
Os médicos dizem que o diagnóstico precoce é crucial nesses casos raros, pois atrasos podem levar à desnutrição grave e a infecções potencialmente fatais. O caso de Neeraj é agora um marco na gastroenterologia pediátrica, prova de que cuidados avançados e minimamente invasivos podem salvar até as vidas mais pequenas e frágeis.
“No Gleneagles Hospital, acreditamos em ultrapassar limites quando a vida de uma criança está em jogo”, disse o Dr. Bipin Chevale, CEO do hospital. “Este caso reflete nosso compromisso com a inovação, o trabalho em equipe e a esperança.”
Para Neeraj e sua família, essa esperança finalmente se transformou em futuro, uma refeição, uma respiração e um sorriso de cada vez.
O que é Acalasia Cardia?
Por que o POEM pontua em relação a outras opções de tratamento
- Procedimento minimamente invasivo: O POEM é feito inteiramente através de endoscópio, sem cortes ou pontos externos.
- Taxa de recorrência muito baixa: Quase 95% dos pacientes permanecem sem sintomas após o POEM, tornando-o uma solução duradoura.
- Melhor que dilatação com balão: Os procedimentos com balão, comumente usados em adultos, apresentam uma alta taxa de recorrência, em torno de 60%, e os sintomas geralmente retornam.
- Evita grandes cirurgias: Embora a cirurgia ofereça alívio semelhante, ela envolve cortes, cicatrizes, maior permanência hospitalar e maior chance de refluxo pós-procedimento.
- Recuperação mais rápida: A maioria dos pacientes pode começar a comer no segundo dia após o POEM.
- Sem cicatrizes externas ou drenos: Ao contrário da cirurgia, o POEM evita feridas na pele, drenos e múltiplas áreas de cicatrização no corpo.
- Trauma geral reduzido: A cura limita-se apenas ao tubo alimentar, poupando o paciente, principalmente as crianças, do estresse da cirurgia invasiva.
- Ideal para pacientes de alto risco: O POEM é especialmente benéfico para crianças pequenas, com baixo peso e frágeis, onde a cirurgia tradicional apresenta riscos maiores.



